A doença de Crohn é uma doença inflamatória do intestino e que está integrada nas doenças autoimunes, o que significa que a ativação do sistema imunitário desencadeia uma resposta inflamatória contra a própria parede digestiva.
A causa é desconhecida, mas a história familiar aumenta a suscetibilidade para o aparecimento da doença. Apesar do processo inflamatório poder atingir qualquer parte do tubo digestivo, a parte terminal do intestino delgado (íleon) e o intestino grosso (cólon) são as localizações mais frequentes. Ainda assim, a inflamação poderá atingir toda a espessura da parede intestinal e provocar úlceras (feridas) no seu revestimento interior.
Em Portugal, a prevalência da doença está a aumentar, ocupando atualmente uma posição intermédia entre os países europeus. Afeta homens e mulheres em igual porporção, embora alguns estudos relatem uma maior incidência no género feminino.
Uma vez iniciada, a doença de Crohn pode causar sintomas para toda a vida, evoluindo por períodos de agudização e remissão. A mucosa ou revestimento interno e as camadas mais profundas da parede intestinal ficam inflamados, irritados e com um aumento da espessura ou erosão de algumas áreas. A região terminal do intestino delgado, denominada íleo, é especialmente propensa ao desenvolvimento de lesão.
Causas
Ainda não se sabe o que causa a doença de Crohn. Pensa-se que o processo patológico pode começar por uma infeção viral ou bacteriana que ativa o sistema imunitário de forma persistente, causando inflamação mesmo depois da infeção ter sido eliminada. Determinados genes que passam dos pais para os filhos podem aumentar o risco de uma pessoa desenvolver uma doença de Crohn na presença do fator desencadeante.
Fatores de risco:
- Tabagismo;
- Viver em meios urbanos ou industrializados;
- Predisposição genética e hereditariedade;
- Infeções bacterianas/virais;
- Hábitos alimentares e estilo de vida;
- Tensão emocional e stresse.
Sintomas
- Dor abdominal intermitente e recorrente após as refeições, sentida à volta do umbigo ou do lado direito;
- Diarreia com dejeções frequentes com presença de sangue (pode causar anemia);
- Emagrecimento e perda de apetite (pode provocar atraso no crescimento nas crianças).
Numa fase aguda pode surgir:
- Febre;
- Dor articular;
- Doença perianal (abcessos/fístulas).
Complicações
- Oclusão intestinal;
- Úlceras;
- Fístulas e abcessos;
- Cálculos renais e biliares;
- Inflamação ao nível das articulações, pele, boca, olhos, fígado e canais biliares;
- Osteopenia e osteoporose.
Medidas a adotar
- A maioria dos doentes pode e deve fazer uma alimentação normal, sem restrições dietéticas. Na doença ativa, uma dieta com pouca fibra pode ser benéfica para controlo da diarreia e da dor abdominal;
- Alguns doentes devem evitar o leite, uma vez que, não conseguem digerir corretamente a lactose;
- Uma dieta com poucos resíduos ou mesmo líquida, pode ser, temporariamente, necessária nos doentes com estreitamentos no intestino delgado;
- A vitamina B12 é absorvida no íleo terminal, pelo que é necessário a sua administração, por via intramuscular, nos doentes com inflamação do íleo ou submetidos a ressecção cirúrgica.
Recomendações Nutricionais
Prevenção de sintomatologia
- Alimentação rica em fruta, vegetais, ácidos gordos ómega-3 e pobre em ácidos gordos ómega-6;
- Aumento do consumo proteico (1,2 a 1,5g/kg/dia);
- Suplementação de ferro quando há anemia: via oral (fase inativa) ou intravenosa (fase ativa);
Fase ativa da doença
- Na presença de diarreia/jejunostomia/ileostomia é necessário repor fluidos e eletrólitos;
- Dieta de textura adaptada consoante a tolerância;
- Nutrição artificial como terapêutica de suporte;
- Suplementação de vitamina D e probióticos.
Fase de remissão
- Não é necessário adotar nenhuma dieta em concreto - alimentação saudável;
- Utilização de probióticos, isentos de lactose e glúten;
- Suplementação de vitamina B12 (>20cm de resseção);
- Suplementação de ferro e folato pode ser necessária em casos de anemias ou gravidez;
- Encorajar o treino de resistência.
Nutrientes que podem ajudar
Probióticos, funcho, erva-cidreira, camomila, hortelã-pimenta e cúrcuma.
Esta ficha é apenas informativa, não dispensando o conselho do seu médico ou técnico de saúde.
Para qualquer esclarecimento adicional contacte tel.: 21 854 31 21 ou e-mail: apoioaocliente@celeiro.pt
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