Um novo estudo, ao investigar a bioactividade de compostos presentes nas cerejas, identificou variedades ricas em polifenóis, que poderão ser “alimentos funcionais promissores”.
O estudo, publicado on-line no jornal Food Chemistry, avaliou a bioactividade de compostos antioxidantes em nove variedades de cerejas - Van, Ulster, Summit, Morangão, Maring, Lapin, Garnet, EVCompact.
A investigadora, portuguesa, que levou a cabo esta investigação, encontrou uma correlação elevada entre a concentração total de polifenóis e antocianinas e a actividade antioxidante e anti-cancerígena medida em todas as variedades de cerejas.
As variedades de cerejas mais promissoras encontradas foram as Saco, Ulster e Lapin.
Compostos Bioactivos
Estudos anteriores com cerejas sugeriram que elas são uma fonte muito rica em compostos bioactivos, tais como os polifenóis. O interesse começou a ser focado nas antocianinas, especialmente cianidinas, uma vez que estudos indicaram que têm potencial para inibir o crescimento tumoral, desaceleram as doenças cardiovasculares e atrasam o processo de envelhecimento.
No novo estudo, os investigadores avaliaram a actividade antioxidante e os efeitos anti-carcinogénicos de variedades diferentes de cerejas, com o objectivo de avaliar e comparar os efeitos bioactivos e descobrir quais as variedades mais promissoras, para utilização como alimentos funcionais.
Conteúdos diferentes
Os resultados da investigação indicam que os nove tipos de cerejas estudadas contêm teores fenólicos diferentes, cada variedade com níveis de antioxidantes e actividade distintos.
As variedades de cerejas com uma concentração total de antocianinas superior a 200mg/100g (Lapin, EVCompact, Saco, Ulster) mostraram ter efeitos antioxidantes superiores, enquanto que as variedades Saco e Lapin demonstraram ser os inibidores mais eficientes da oxidação das lipoproteínas de baixa densidade (LDL), devido ao seu teor total superior de antioxidantes.
Os resultados do estudo também sugerem que as antocianinas totais (em particular, os glicosídeos cianidina) são responsáveis pela habilidade de inibição do crescimento de células cancerígenas do cólon e gástricas. O estudo descobriu 3 variedades de cerejas (Saco, Ulster e Lapin) com uma quantidade superior de compostos fenólicos, uma actividade antioxidante superior e mais eficientes na inibição das células cancerígenas humanas.
“A correlação dos dados obtidos mostrou que as antocianinas foram as maiores contribuintes para a capacidade antioxidante e efeitos anti-proliferativos das cerejas”, escreveram os investigadores.
Fonte:
Food Chemistry
Published online ahead of print, doi: 10.1016/j.foodchem.2010.07.088
“Identification of bioactive response in traditional cherries from Portugal”
Authors: A.T. Serra, R.O. Duarte, M.R. Bronze, C.M.M. Duarte
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