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Flavonóis e Risco de AVC em mulheres

O aumento da ingestão de alimentos ricos em flavonóis poderá reduzir em 20% o risco de AVC em mulheres, de acordo com uma meta - análise que envolveu mais de 110 000 indivíduos.
Apesar de informarem sobre um efeito potencial de diminuição de risco a partir do consumo de compostos presentes no chá, cebolas, maçãs e brócolos, os resultados devem ser “interpretados com precaução”, declararam os investigadores holandeses, no Journal of Nutrition.
Conduzidos pelo Dr. Peter Hollman, professor associado de Nutrição e Saúde, na Divisão de Nutrição Humana da Universidade de Wageningen, os investigadores escreveram o seguinte:

“mostrámos pela primeira vez, de acordo com o conhecimento que temos, que o consumo de flavonóis estaria inversamente associado com a incidência de AVC”. Adicionaram ainda: “concluímos que a evidência tem vindo a corroborar o facto de o consumo de flavonóis estar inversamente relacionado com a evolução de diversas doenças cardiovasculares.”

Os AVC ocorrem quando os coágulos de sangue ou as artérias rebentam no cérebro e interrompem o fornecimento sanguíneo a uma parte deste órgão. É a principal causa de deficiência e a terceira principal causa de morte na Europa e nos Estados Unidos da América, de acordo com a Stroke Alliance for E.

A “árvore genealógica” dos Flavonóis

Os flavonóis constituem um sub-grupo de flavenóides, que podem ser divididos numa série de sub-classes, incluindo as antocianinas encontradas nas bagas, flavonóis presentes em diversos frutos e vegetais, flavonas existentes na salsa e tomilho, por exemplo, flavanonas nos citrinos, isoflavonas na soja, flavonóis mono - e poliméricos como as catequinas do chá e proantocianidinas das bagas, vinho e chocolate.
De acordo com um editorial no American Journal of Clinical Nutrition (Julho 2008, Vol. 88, pp. 12-13), Hollman e Johanna Geleijinse, também da Universidade de Wageningen, declararam que a contribuição das flavononas para a capacidade antioxidante de uma pessoa é significativa:

“Foram descritos mais de 6000 flavenóides diferentes em plantas e o seu consumo total pode chegar a 1g/d, enquanto que o consumo total e conjunto de beta-caroteno, vitamina C e vitamina E, a partir de fontes alimentares, a maioria das vezes é inferior a 100mg/d,”.

Detalhes do estudo

Hollman e os seus colegas conduziram uma meta-análise de estudos de coorte prospectivos, utilizando dados de indivíduos sem doenças cardiovasculares ou episódios de AVC, no momento inicial dos respectivos estudos.
Foram recolhidos dados de 111,067 indivíduos e o acompanhamento destes durou entre 6 a 28 anos. Num todo, foram documentados 2,155 AVC´s fatais e não fatais. Os investigadores repararam que um consumo elevado de flavonóis, predominantemente a partir do chá entre a população holandesa e a partir do chá, cebolas, maçãs e brócolos nos Estados Unidos da América, estava associado a uma redução de 20% do risco, relativamente aos AVC.

As diferenças entre os consumos de flavonóis entre as populações é importante, disseram os investigadores, uma vez que este facto tem efeito nos níveis de componentes presentes no sangue e nos tecidos. “ A biodisponibilidade de flavonóis em cebolas é muito melhor do que no chá ou nas maçãs”, disse Hollman e seus colegas. “ Como consequência, as concentrações de flavonóis no plasma e nos tecidos também depende do tipo de fonte alimentar de onde provêm os flavonóis.”
Os investigadores acrescentaram: “Na etiologia do AVC, estas concentrações no plasma e tecidos são relevantes. A biodisponibilidade do flavonol determina a relação entre os flavonóis consumidos e os níveis existentes no plasma e nos tecidos. A biodisponibilidade em flavonóis de um alimento depende do tipo de glicosídeo flavonóico presente nesse alimento.”

Apesar desta associação, os investigadores referiram que os resultados devem ser interpretados com cuidado, uma vez que estavam disponíveis poucos estudos para a meta-análise, tendo eles detectado algum viés de publicação.

Fonte:

Journal of Nutrition
Published online ahead of print, doi: 10.3945/jn.109.116632
“Dietary Flavonol Intake May Lower Stroke Risk in Men and Women”
Authors: P.C. H. Hollman, A. Geelen, D. Kromhout