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Chocolate preto poderá combater o stress oxidativo causado pela prática de desporto intensiva

De acordo com resultados publicados recentemente no European Journal of Nutrition, o consumo de chocolate preto, com um teor de cacau de 70%, está associado à diminuição do stress oxidativo após a prática de exercício, medido sob a forma de redução dos níveis de um composto chamado F2-isoprostano (marcador do stress oxidativo).

Os benefícios dos polifenóis do cacau para a saúde têm sido frequentemente divulgados nos media, nomeadamente a nível da saúde cardiovascular, pele e até saúde do cérebro. As substâncias presentes no cacau mais associadas a estes benefícios são flavanóis e em particular, um flavanol monomérico, a epicatequina. Para além destes benefícios, também já foi sugerido que o chocolate preto é eficaz sobre os efeitos nefastos do exercício físico no plasma sanguíneo e na sua capacidade antioxidante total. A equipa que conduziu esta investigação, orientada por Glen Davidson, da Universidade Aberyswyth, Reino unido, conseguiu comprovar esta ideia, ou seja, de que o “status” antioxidante do chocolate preto poderá realmente ter um significado fisiológico importante ao diminuir o potencial efeito nocivo do stress oxidativo a nível muscular associado à prática desportiva.

Os organismos aeróbios produzem naturalmente compostos reactivos ao oxigénio (radicais livres) que desempenham um papel importante em inúmeras funções no organismo, no entanto, uma produção exagerada destes compostos como o que se verifica perante factores como o tabaco, a poluição, a luz solar, a prática de exercício físico de modo intensivo ou simplesmente o próprio envelhecimento, poderá diminuir a capacidade antioxidante do organismo e consequentemente levar ao stress oxidativo. Hoje em dia sabe-se que o stress oxidativo tem sido relacionado com o aumento de várias doenças incluindo o cancro, a doença de Alzheimer ou doenças cardíacas.

De forma a conferir que o stress oxidativo causado pela prática intensiva de exercício físico poderá ser reduzido com o consumo de chocolate preto, rico em polifenóis, Davison e os seus colaboradores estudaram 14 homens saudáveis a quem foi pedido para consumir 100 gramas de chocolate preto, ou uma barra de controlo. Duas horas depois, foi pedido aos mesmos que praticassem “cycling” durante 2,5 horas, a uma percentagem de 60% do seu consumo máximo de oxigénio. Perante estas condições verificou-se que a ingestão de chocolate negro resultou num aumento do status antioxidante antes da actividade de “cycling” e níveis reduzidos de F2-isoprostano uma hora depois de terem terminado esta actividade física, em comparação com os que tomaram a barra de controlo.

É possível que o efeito tampão relativamente ao stress oxidativo varie consoante a quantidade e altura em que o chocolate é ingerido, razão pela qual será importante a realização de mais investigações para confirmar e reforçar estes resultados. Contudo, após duas semanas de ingestão deste tipo de chocolate continuaram a ser obtidos resultados semelhantes.

Fica assim reforçada a ideia de que o chocolate preto, que possui um teor mais elevado de cacau, não é apenas uma guloseima. Contudo, devido ao seu elevado teor calórico, deverá ser consumido com moderação.


Fonte:

European Journal of Nutrition
Published online ahead of print, doi:
“The effect of acute pre-exercise dark chocolate consumption on plasma antioxidant status, oxidative stress and immunoendocrine responses to prolonged exercise”
Authors: G. Davison, R. Callister, G. Williamson, K.A. Cooper, M. Gleeson