Foi feito um estudo na Hungria, publicado na revista científica British Journal of Nutrition, que mostrou, pela primeira vez, que o resveratrol (polifenóis de uva) melhora a sensibilidade à insulina em pacientes diabéticos tipo 2, e que poderá ser devido à redução do stress oxidativo.
Por ser um antioxidante eficaz, como já foi demonstrado em estudos in vitro e in vivo, o objectivo dos autores foi analisar se o resveratrol tem efeitos benéficos no controlo e/ou na melhoria da resistência à insulina, e se está relacionado com alteração do stress oxidativo. Além disso, os investigadores procuraram encontrar os mecanismos bioquímicos subjacentes que possam explicar os efeitos do resveratrol na diabetes tipo 2.
Trata-se de um estudo duplo-cego e randomizado, que incluiu dezanove pacientes diabéticos tipo 2 e que foram acompanhados durante quatro semanas. O primeiro grupo (n = 10) recebeu resveratrol por via oral, duas vezes ao dia (cápsulas de gelatina contendo 5 mg de resveratrol), e o grupo controlo (n = 9) recebeu duas cápsulas de placebo por dia. Os pacientes foram orientados de forma a não consumirem bebidas alcoólicas e alimentos que contenham quantidades substanciais de resveratrol (vinho tinto, uvas vermelhas).
Os pacientes foram avaliados antes do início do estudo, na segunda e quarta semanas após a intervenção. Os níveis de glicemia em jejum e insulina foram utilizados para calcular o Índice do Modelo de Avaliação da Homeostase da Resistência à Insulina. O nível de stress oxidativo foi analisado pelos níveis urinários de orto-tirosina, bem como por meio dos níveis de incretinas (GIP e GLP-1, hormonas produzidas no tracto gastrointestinal) e pela razão proteína quinase B fosforilada (pAkt)/ proteína quinase B (Akt) em plaquetas.
Após a quarta semana, o resveratrol diminuiu significativamente a resistência à insulina (p = 0,044) e excreção urinária de orto-tirosina (p = 0,043), enquanto aumentou a relação pAkt/Akt nas plaquetas (p = 0,032), indicando que houve uma melhor captação de glicose para a célula.
“O stress oxidativo tem sido amplamente estudado como componente da etiologia da resistência à insulina. Além disso, a fosforilação da proteína quinase B (pAkt) é um passo essencial para a sinalização da insulina, contribuindo para a entrada da glicose na célula. Assim, o estudo destes factores é fundamental para a compreensão do aumento da sensibilidade à insulina induzida pelo resveratrol”, comentam os autores.
“Os resultados deste estudo parecem sugerir que, em paralelo com a redução da resistência à insulina, o resveratrol pode diminuir o stress oxidativo e actuar sobre a via de sinalização da Akt. Portanto, o presente estudo mostra que o resveratrol pode tornar-se uma ferramenta útil no tratamento do diabetes tipo 2 e na obtenção de uma maior compreensão dos mecanismos envolvidos com a resistência à insulina e stress oxidativo”.
Fonte:
Brasnyó P, Molnár GA, Mohás M, Markó L, Laczy B, Cseh J et al. Resveratrol improves insulin sensitivity, reduces oxidative stress and activates the Akt pathway in type 2 diabetic patients. Br J Nutr. 2011 Mar 9:1-7.
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