O sono pode ser definido como um estado fisiológico reparador. Trata-se de um período essencial para a manutenção do nosso equilíbrio, pois é a dormir que ocorre grande parte da recuperação orgânica, física e psíquica.
O ciclo do sono de um ser humano é formado por cinco estágios e dura entre 90 e 120 minutos, repetindo-se quatro a cinco vezes durante o sono. As insónias são perturbações do sono que se podem caracterizar pela ausência de sono, sono não reparador e pela ansiedade excessiva em relação ao facto de não se conseguir adormecer. Não se trata de uma doença, mas de um sintoma, já que pode ser consequência de diversas perturbações emocionais e físicas, assim como do uso de medicamentos.
Causas / Fatores de Risco
Podem ser várias as causas de insónias: físicas (doença cardíaca, apneia do sono, asma, doença prostática, dor, etc.); fisiológicas (ruído, actividade nocturna, exercício, turnos laborais, etc.); farmacológicas (cafeína, álcool, nicotina, antidepressivos, estimulantes, etc.); psicológicas (stress, tensão, luto, ansiedade excessiva relativamente à insónia, etc.); e psiquiátricas (ansiedade, depressão, mania e demência.)
Consequências
Um sono não reparador pode comprometer seriamente a nossa capacidade de memória, aprendizagem e raciocínio, originando estados frequentes de fadiga, irritabilidade e esgotamento, com repercussões graves na nossa vida social e profissional. A dificuldade em conciliar o sono é frequente entre jovens e idosos e, muitas vezes, manifesta-se no decurso de alterações emocionais, como a ansiedade, o nervosismo, a depressão ou o temor. Existem mesmo pessoas que têm dificuldade em conciliar o sono simplesmente porque não experimentam cansaço, quer seja físico ou mental. As perturbações do sono constituem uma temática subjectiva. Contudo, todos aqueles que experimentam uma privação de sono mais ou menos frequente, sofrem durante o dia de sintomas de fadiga, sonolência, irritabilidade, falta de concentração e diminuição da performance física e intelectual. Durante a noite, enquanto descansamos, é estimulada a libertação de hormonas, como a prolactina e outras, que afectam o nosso sistema imunológico e o nosso bem-estar. Por este mesmo motivo, existem tantos medicamentos a pensar numa forma de melhor dormir. Afinal, desde há muito tempo que se reconhece a importância do sono. Como diz o ditado: “Nada que uma boa noite de sono não cure!”. Se regredirmos no tempo, recordamos que se utilizava ópio para ajudar os doentes a dormir e, mais tarde, a morfina, tendo sido substituída por novas substâncias entretanto descobertas, uma vez que provocava habituação.
Os soníferos e hipnóticos representam uma grande parte da medicação existente na farmacopeia médica. Estes provocam a paralisação do cérebro com perda de conhecimento, o que não é bem o que acontece se adormecermos naturalmente. É durante o sono, como já dissemos anteriormente, que recuperamos a energia consumida durante o dia, que reparamos e reforçamos o nosso organismo. Ao adormecer à custa da indução do sono de forma artificial, através deste tipo de medicamentos químicos, estamos obviamente a alterar a reparação fisiológica normal. São, contudo, inúmeras as pessoas que sofrem de insónias e é um facto que têm de recorrer a algo para tentar minimizar esta situação. O organismo até se pode adaptar a menos horas de sono, mas com o tempo, e dependendo da gravidade da situação, as consequências surgem e o organismo ressente-se! Certamente que já ouviu falar do sono de beleza. Tal está relacionado com o facto de se pensar que o processo de renovação celular sofre uma intensificação entre as duas e as três horas da manhã. Desta forma, pode ser associado de facto à beleza, influenciando a nossa pele. Estará desvendado o segredo para manter uma pele bonita? Será uma boa noite de sono uma das soluções para evitar o envelhecimento precoce? Poderá não ser um factor único, mas decerto que desempenha o seu papel!
Tratamento
Em cada um dos ciclos de sono, sucedem-se várias fases ou etapas. A primeira fase é de transição entre a vigília e o sono (5% – 10% do tempo de repouso) e a segunda é composta por um sono leve, em que se inicia o sono não-REM (45% – 55% do tempo de repouso). A terceira e a quarta fases são as do sono mais profundo, no qual se inicia a recuperação fisiológica (fase 3, equivalente a 20% do tempo de sono) e a diminuição da frequência cardíaca e da pressão arterial, com produção de hormonas (fase 4, 20% do tempo). A quinta fase corresponde à fase REM (rapid eyes movement), caracterizada por uma intensa actividade cerebral, marcada pelo rápido movimento dos olhos e que ocorre no final de cada ciclo de 90 minutos.
Assim, o sedativo ideal será aquele que, para além de actuar rapidamente, proporcione um padrão de sono semelhante ao descrito anteriormente, de carácter fi siológico, sem provocar a sensação de ressaca normalmente sentida na manhã seguinte ou o aparecimento de sintomas de dependência. De facto, nenhum sedativo apresenta estas características. Ainda assim, os benzodiazepinos são os fármacos mais utilizados para tratar insónias, apesar de alterarem por completo o padrão normal de sono e de causarem dependência. Estes produtos são ainda potencialmente mais perigosos para os idosos, uma vez que provocam um relaxamento muscular tão intenso que podem comprometer a própria mobilidade do corpo durante a noite. Existem alternativas mais saudáveis, nomeadamente os extractos de plantas como a valeriana e o lúpulo, cuja combinação é utilizada desde há muito tempo como remédio natural, aliviando com sucesso e segurança os problemas de sono.
Suplementos Alimentares
Os suplementos naturais podem ajudar a resolver o problema. A valeriana (Valeriana officinalis) é uma planta muito apreciada devido às suas propriedades sedativas sobre o sistema nervoso central. É tradicionalmente utilizada em casos de tensão, ansiedade, nervosismo, depressão ligeira, sentimentos de medo, cólicas gastrointestinais (de origem nervosa) e desordens do sono. Os ensaios clínicos indicam que o extracto de valeriana tem um efeito positivo no padrão de sono, não infl uencia a fase REM e não provoca os efeitos secundários indesejáveis dos benzodiazepinos, sendo, portanto, de utilização segura.
Referimos, por outro lado, que um número muito reduzido de pessoas, ao utilizar o extracto de raiz de valeriana, poderá experimentar o efeito contrário daquele descrito para a planta, ou seja, excitabilidade nervosa. Se for este o caso, esclarece-se que essas pessoas são hipersensíveis à planta e devem, por isso, suspender de imediato a sua utilização. O lúpulo contém nas suas flores uma substância designada de lupulino, responsável pela acção sedativa e soporífera do extracto. Na fi toterapia, as flores de lúpulo sempre foram utilizadas em caso de nervosismo e de insónias de origem nervosa. Nas preparações sedativas, as flores de lúpulo são normalmente misturadas com as raízes de valeriana. Vários estudos efectuados, utilizando esta mistura, evidenciaram uma melhoria na dinâmica do sono e um acordar mais repousado. Entre outras utilizações tradicionais, as folhas de melissa (Melissa offi cinalis) são usadas como sedativo geral. As principais indicações fitoterapêuticas desta planta são o nervosismo, insónias e palpitações nervosas, pelo que, muitas vezes, o extracto desta planta é associado a outros produtos com acção tranquilizante. A passiflora, a magnólia e a papoila californiana também actuam benefi camente neste tipo de situações.
A maior parte destas plantas faz parte de suplementos alimentares indicados para este problema devido às propriedades das substâncias que os compõem para a prevenção e tratamento de insónia. Pode ainda encontrá-las disponíveis para preparações de infusões. Para além das plantas referidas, o mononitrato de tiamina, ou vitamina B1, conhecido co-factor enzimático, parece desempenhar um papel importante em mais de 20 sistemas enzimáticos diferentes, induzindo igualmente alterações nos padrões de sono.
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