Sabemos que, no geral, existem crianças mais distraídas do que outras e que têm mais dificuldade em permanecer atentas na execução de tarefas. O défice de atenção é um sintoma que está muitas vezes associado à situação designada de Perturbação de Hiperatividade e Défice de Atenção (PHDA), contudo, existem outras causas que podem contribuir para os problemas de atenção na criança: como a ansiedade, o stresse ou a falta de um sono repousante. O diagnóstico desta perturbação neurocomportamental é clínico e caracterizado por um processo de avaliação cuidadosa, da história de desenvolvimento da criança, dos vários contextos onde está inserida e onde devem ser descartadas dificuldades que possam justificar a sintomatologia. É importante, por isso, diagnosticar, para se poder agir.
Alimentação e PHDA
As causas para o aparecimento da PHDA são variadas e estão associadas a fatores genéticos e ambientais. Recentemente, tem sido dada alguma atenção ao papel potencial da prática de uma dieta desequilibrada ou da presença de deficiências nutricionais, na suscetibilidade à PHDA. Estudos sugerem mesmo que uma baixa aderência à Dieta Mediterrânica poderá ter um papel no seu desenvolvimento. De referir que este plano alimentar é hoje considerado um dos padrões alimentares mais saudáveis do mundo e estudos recentes sugerem que a sua adoção poderá proteger a saúde cerebral. No entanto, serão necessários mais dados para clarificar se as deficiências nutricionais podem, de facto, contribuir para uma função cerebral desadequada e levar a sintomas de PHDA nas crianças. Contudo, a avaliação da dieta e do estado de nutrição deverá ser considerada como uma terapia adjuvante na melhoria dos sintomas.
Alimentos e Nutrientes
Para corrigir deficiências e ajudar a reduzir a sintomatologia, são por vezes sugeridos alguns suplementos alimentares:
DHA – componente essencial para a estrutura, desenvolvimento e função do cérebro.
Vitaminas do complexo B – funcionam como coenzimas e contribuem para a formação de vários neurotransmissores.
Minerais – o zinco e o ferro são necessários à função cerebral e o magnésio permite gerir melhor os estados de ansiedade.
MAS: seja qual for a situação, é essencial aconselhar-se primeiro com o pediatra que acompanha a criança e perceber quais são as necessidades específicas.
Nutrir o Cérebro
Procure manter um padrão alimentar mediterrânico: onde predomina o consumo de produtos frescos, locais e sazonais, de gordura de origem vegetal (como o azeite), peixe, vegetais, fruta e um reduzido consumo de açúcar simples e de sal. Uma alimentação completa, equilibrada e variada será uma estratégia a adotar.
Um número abrangente de nutrientes parece estar envolvido na manutenção da função cerebral, incluindo vitaminas, como o ácido fólico (B9) e as vitaminas B6 e B12. Também os compostos lipídicos como os ómega-3(DHA e EPA) têm-se revelado importantes para o desenvolvimento cerebral pré e pós-natal. Têm sido desenvolvidos estudos que mostram fortes evidên-cias da deficiência destes ácidos gordos na PHDA, e a defesa de que a sua suplementação é relevante neste grupo. Minerais como o zinco, o magnésio e o ferro são igualmente determinantes para a correta função cerebral, sendo que há trabalhos científicos que sugerem que a sua presença em níveis inferiores aos necessários está relacionada com sintomas mais acentuados de PHDA.
PHDA: O Que é?
A Perturbação de Hiperatividade e Défice de Atenção é um distúrbio no neurodesenvolvimento da criança, que resulta de alterações no funcionamento do sistema nervoso. Os sintomas podem incluir falta de atenção, hiperatividade e impulsividade. É habitualmente diagnosticada em idade escolar porque nesta altura existe uma maior exigência no comportamento e na realização de tarefas.
Sabia Que?

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