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Dermatite atópica

Bem-Estar

A dermatite atópica é uma doença não contagiosa que se manifesta no maior órgão do corpo humano a pele. Descubra mais acerca desta situação e os principais cuidados a ter.

Estima-se que em Portugal 10% da população infantil e 1 a 3% da população adulta sofre de dermatite atópica. A sua prevalência tem vindo a aumentar, principalmente nos países industrializados.
Esta doença carateriza-se por uma pele extremamente seca e a escamar associada ao prurido (comichão), moderado a intenso. Surge habitualmente na infância, manifestando-se durante o primeiro ano de vida. Neste período pode atingir toda a superfície corporal, principalmente a cabeça (couro cabeludo, rosto, atrás das orelhas) e a zona de flexão dos membros. Na idade adulta é habitualmente mais grave e também se localiza na zona flexora dos membros e/ou nas mãos, pés e na região cervical. Existe a alternância entre períodos de crise aguda e períodos de remissão (diminuição momentânea dos sintomas). O diagnóstico baseia-se no exame físico e considera igualmente a idade em que apareceram os primeiros sintomas, a severidade e frequência das lesões cutâneas, bem como a história pessoal e/ou familiar de asma, rinite alérgica e dermatite atópica. Podem ser pertinentes testes cutâneos e análises sanguíneas, particularmente à imunoglobulina E, no sentido de despistar eventuais alergias.

Fatores desencadeantes

Embora a sua origem seja complexa e multifatorial, a barreira cutânea é afetada, existindo, consequentemente, uma maior propensão para que os alergénios penetrem na pele, estimulando o sistema imunitário. É possível identificar alguns potenciais fatores de risco como: a história familiar de dermatite atópica, asma ou alergias; viver num país desenvolvido, em cidades com elevada poluição; viver num clima frio. A maioria das pessoas com dermatite atópica tem cumulativamente asma, rinite alérgica e/ou alergias e, apesar de esta última não ser uma causa de dermatite atópica, pode agravar os sintomas. De facto, a alergia ao pó, ao pelo dos animais e, mesmo, alimentar, parece estar relacionada com esta situação, mas também outros fatores como o stresse, o contacto com substâncias químicas irritantes, perfumes e alguns têxteis.

Controlar os sintomas

A secura e a irritação da pele provoca comichão que, por sua vez, conduz à exposição da pele a agentes irritantes e alergénios. Esta maior vulnerabilidade cutânea à inflamação conduz novamente à comichão, tornando-se um ciclo vicioso. Deve assim atuar-se o mais precocemente possível, impedindo que este ciclo progrida. Infelizmente, não sendo conhecida uma cura efetiva para esta situação clínica, o recurso a dermocosméticos, a terapêutica farmacológica (oral e/ou tópica, principalmente na fase aguda) e/ou a eliminação dos fatores que podem agravar a dermatite são habitualmente as medidas mais indicadas para minimizar os sintomas e prolongar a fase remissiva (entre as fases agudas).
A aplicação de cosméticos adequados à dermatite atópica tem como objetivo restabelecer os níveis de água que constituem a pele através da sua hidratação, e deve ser seguida mesmo durante as fases de remissão, evitando assim a exacerbação da doença. Embora a escolha do hidratante mais adequado dependa de cada indivíduo e possa ser um processo demorado até se encontrar aquele que a pele tolera, deve optar por produtos hipoalergénicos, sem perfume e com um pH próximo do da barreira cutânea (cerca de 4.5-5.75). Neste contexto, importa destacar uma alternativa às formulações cosméticas: o óleo de coco, derivado do fruto do coqueiro, além de ser usado na culinária pode ser aplicado diretamente na pele, contribuindo para a hidratação intensa da mesma.

Como é que a suplementação pode ajudar?

A associação entre a dermatite atópica e níveis elevados de ácido linoleico e níveis reduzidos de GLA (ácido gama-linoleico) e ácidos gordos ómega-3 tem surgido em inúmeros estudos. Estas alterações do metabolismo dos ácidos gordos relacionam-se com processos de inflamação e de alergia. Assim, a toma de GLA (proveniente do óleo de onagra ou de borragem) e de óleos de peixe deverá ser equacionada. O zinco, além de ser importante para o normal metabolismo dos ácidos gordos, também desempenha um papel na pele, tal como acontece com a vitamina A. A privação de sono e o stresse são dois sintomas que podem advir da dermatite atópica e, por esta razão, alguns compostos como a melatonina ou o citrato de magnésio poderão ajudar.


Conselhos para o dia-a-dia

  • O banho deve ser rápido, com água morna e utilizando um gel hidratante adequado.
  • Ao secar, não deve friccionar a pele em demasia.
  • Aplicar, imediatamente a seguir ao banho e sempre que necessário, um emoliente corporal/rosto adequado a pele atópica.
  • Manter as unhas curtas e com as arestas bem limadas para evitar arranhões.
  • Evitar a exposição a potenciais alergénios ambientais e alimentares.
  • Dar preferência a roupas, incluindo lençóis e meias, com fibras naturais (como o algodão) e escolher uma fórmula de lavagem hipoalergénica.