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Obstipação: os melhores aliados para a prevenção

Nutrição

A obstipação crónica é caracterizada por evacuações pouco frequentes (menos de três por semana) e/ou sintomas como esforço, sensação de evacuação incompleta e fezes duras. Pode afetar até 20% da população, sendo mais comum nas mulheres e com o avançar da idade. A Organização Mundial de Gastroenterologia (OMG) publicou, no ano passado, novas orientações para a gestão dos sintomas e para a melhoria da qualidade de vida da pessoa com obstipação crónica. Descubra algumas estratégias que pode começar a aplicar já hoje.

As causas

A obstipação crónica resulta de uma multiplicidade de fatores. Pode dever-se a alterações motoras ou neuromusculares do cólon, assim como à coordenação retal e anal, microbiota intestinal e falha de coordenação entre esforço abdominal e relaxamento anal. Noutros casos, a obstipação pode ser secundária como consequência da toma de determinados tipos de medicamentos,
doenças metabólicas, neurológicas ou causas estruturais.

Estratégia para aliviar os sintomas

Aumentar o consumo de fibra

O consumo de alimentos ricos em fibra assume um papel fundamental na melhoria ou prevenção dos sintomas de obstipação. A fibra pode atuar de formas diferentes no intestino, podendo ser classificada, por isso mesmo, como solúvel, insolúvel e fermentável.

Hidratação

Ao aumentar a ingestão de fibra, é essencial beber água suficiente. A fibra insolúvel, especialmente indicada em obstipação crónica, precisa de água para exercer a sua ação. Recomenda-se ingerir 1,5 a 2 litros de água por dia, garantindo que cada dose de fibra seja acompanhada por 200 a 250 mililitros de água.

Suplementação alimentar

Quando as medidas alimentares não são suficientes, a suplementação alimentar constitui uma abordagem complementar de primeira linha para a melhoria dos sintomas de obstipação crónica:

Psílio: Derivado da casca das sementes da planta Plantago ovata, contribui para aumentar a água nas fezes e facilitar o trânsito intestinal. Favorece também alterações na microbiota intestinal. Recomenda-se uma ingestão inicial de 14 gramas por dia;

Sene: Trata-se da planta Cassia angustifolia cuja vagem (fruto) ou folha apresenta um efeito estimulante sobre os movimentos intestinais, devido à sua riqueza em senosídeos e flavonoides. Pode ainda apresentar uma ação positiva sobre a diabetes e os problemas de colesterol;

Óxido de magnésio: Segundo alguns estudos da OMG, esta fórmula específica de magnésio pode contribuir para o aumento das dejeções espontâneas, para a melhoria na forma das fezes e dos sintomas abdominais, melhorando a qualidade de vida de pessoa com obstipação;

Beta-glucanos: Podem ser obtidos a partir de diferentes fontes, como os cogumelos. Porém, os beta-glucanos da
aveia parecem contribuir para reduzir os sintomas de obstipação em adultos saudáveis, possivelmente através de alterações benéficas na microbiota intestinal. Podem aumentar os níveis de Bifidobacterium intestinais;

Farelo: Tanto o de aveia como o de trigo contribuem para diminuir o tempo necessário para a primeira evacuação, e parecem regular a produção de hormonas gastrointestinais envolvidas nos movimentos intestinais. À semelhança dos beta-glucanos, alteram de forma positiva a microbiota intestinal, parecendo aumentar os níveis de Lactobacillus;

Frutooligossacarideos (FOS): Consistem num tipo de açúcar não digerível, que exerce um efeito prebiótico no intestino ao servir de alimento para bactérias benéficas, principalmente Bifidobacterium e Lactobacillus. Contribuem também para melhorar os sintomas gerais de obstipação crónica;

Probióticos: Tratam-se de microrganismos vivos que, quando administrados em quantidades adequadas, proporcionam benefícios à saúde. No contexto da obstipação, os probióticos podem melhorar a microbiota intestinal e contribuir para a produção de ácidos gordos de cadeia curta, que estimulam a motilidade e amolecem fezes. Podem ainda regular o sistema nervoso presente no intestino e a produção de hormonas gastrointestinais.

 

Tipos de fibra

Solúvel - Dissolve-se em água, formando um gel viscoso. Contribui para amolecer as fezes. Exemplos: Psílio, beta-glucanos e goma guar.

Insolúvel - Não se dissolve em água, mas aumenta o volume fecal e estimula a motilidade intestinal. Exemplos: Farelo de trigo e de aveia.

Fermentável - Metabolizada pela microbiota do intestino, produzindo ácidos gordos de cadeia curta. Pode aumentar a motilidade, mas causar flatulência em pessoas sensíveis. Exemplos: Inulina e frutooligossacáridos (FOS).