A oliveira, conhecida cientificamente como Olea europaea L. é uma árvore baixa, de tronco retorcido que parece ter tido a sua origem na Ásia Menor em tempos muito remotos. Sabe-se que era frequente no Egipto há mais de 4000 anos. A sua difusão pela região mediterrânica foi facilitada pelas invasões e trocas comerciais que sempre ocorreram nesta região. No entanto, terá sido com as invasões romanas que esta cultura conheceu maior difusão. Do seu fruto, a azeitona, há muito se extrai o azeite, um dos principais produtos comercializados pelos antigos povos que habitavam aquela zona. Tanto a azeitona como o azeite assumiram um papel de destaque no mundo da culinária, caracterizando especialmente a dieta mediterrânica e, para além de nutritivos, oferecem muitos benefícios à saúde. Esta árvore é ainda caracterizada pela sua longevidade: estima-se que existam oliveiras com mais de 2500 anos de idade no Médio Oriente. Historicamente, o ramo de oliveira representa a paz, conferindo a esta espécie uma grande importância simbólica.
Nas últimas décadas, a comunidade científica tem dado relevância a outra parte da oliveira: a folha, à qual atribui propriedades benéficas capazes de melhorar o bem-estar a diversos níveis. A folha de oliveira é composta por inúmeros constituintes que incluem a oleuropeína (glicósido) e vários flavonóides.
Tradicionalmente, o extracto de folha de oliveira está associado a várias propriedades benéficas, algumas delas verificadas em estudos experimentais. Constatou-se que a oleuropeína apresenta propriedades hipotensoras ligeiras e uma acção coronario-dilatadora e espasmolítica. Assim, o extracto de folha de oliveira ajuda a diminuir a tensão arterial (sistólica e diastólica), sendo útil em casos de hipertensão ligeira, no sistema circulatório e na arteriosclerose.
Alguns estudos revelam que a oleuropeína inibe a oxidação do LDL. A oxidação do colesterol “mau” contribui para a aterosclerose. Alguns autores relacionam esta propriedade da oleuropeína com os benefícios apresentados pela dieta mediterrânica.
Experimental e clinicamente foram ainda reconhecidas ao extracto de folha de oliveira propriedades diuréticas e hipoglicemiantes (baixa os níveis de açúcar no sangue). Desta forma, recomenda-se nos casos em que se pretende aumentar a diurese e as funções de eliminação renal e digestiva, podendo ser empregue nas cistites, por exemplo. É também utilizado como auxiliar no tratamento de certas diabetes.
Ultimamente têm-se descoberto propriedades anti-bacterianas e anti-virais muito interessantes de alguns dos componentes da folha de oliveira, sendo por isso um complemento útil a considerar no reforço do sistema imunitário aos mais diversos níveis.
Pode usufruir dos benefícios da folha de oliveira através de infusão. Por exemplo no caso de hipertensão arterial coloque cerca de 30g de folhas de oliveira em água a ferver e deixe infundir durante 10 minutos. Depois de coar, beba esta infusão três vezes por dia. Se estiver a tomar medicamentos para a hipertensão, aconselhe-se com o seu médico antes de beber este chá, pois este pode potenciar o efeito dos fármacos. O extracto de folha de oliveira também se encontra disponível em cápsulas. A dosagem mais comum situa-se entre os 225mg e os 500mg de extracto estandardizado de folha de oliveira, devendo conter pelo menos 6% de oleuropeína. São recomendadas entre uma a três cápsulas por dia.
Para além do azeite e da azeitona, as propriedades da folha são mais uma razão para aproveitar o que a Natureza e, nomeadamente a oliveira, tem para nos oferecer.
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