A digestão dos alimentos é, em primeiro lugar, física (acção mecânica dos dentes e movimentos peristálticos do estômago) e deveras importante, começando desde logo na boca, situação em que muitas vezes não pensamos! Daí a importância de não só saber o que e quando comer, mas como e de que forma também! Numa segunda fase, dá-se a alteração química, desencadeada pela acção das enzimas, ácidos e minerais. E é a partir desta segunda fase que podem surgir os problemas de digestão.
Azia
Também denominada de acidez ou pirose, está ligada a uma digestão difícil e prolongada, muitas vezes associada a excessos alimentares ou alcoólicos. Esta doença tem um impacto negativo na qualidade de vida, aumenta os custos com a saúde e os riscos de complicações no esófago. Calcula-se que 7% da população mundial sofre de azia todos os dias, 15% todas as semanas sofre de episódios de azia e alguns estudos indicam que 50% da população revela ter azia mensalmente. Apenas uma minoria das pessoas procura ajuda do médico. Quando comemos, os alimentos percorrem o esófago (canal de 35 a 40cm, que liga a boca ao estômago) e, antes de chegarem ao estômago, atravessam o esfíncter esofágico inferior, que deve manter-se fechado após a passagem dos alimentos para impedir que os ácidos digestivos refluam pelo esófago acima. Às vezes, porém, os músculos desse esfíncter perdem a elasticidade e permanecem abertos, permitindo o refluxo que provoca azia.
Sintomas
Entre os sintomas mais comuns da azia estão o ardor no centro do peito que pode irradiar da extremidade inferior do esterno à garganta. Ocasionalmente poderá causar dor torácica, com características idênticas à dor da insuficiência coronária (angina de peito). Pode ocorrer também um aumento da salivação.
Causas
Existem vários tipos de acidez:
Acidez funcional – é aquela para a qual não se encontra causa específica.
Acidez de origem “alérgica” – devido à sensibilidade do estômago em relação a determinados alimentos.
Acidez devida a factores externos ao organismo – temos como exemplo a acidez secundária à ingestão de um medicamento.
Acidez de origem psíquica – muitas vezes, a acidez é uma consequência do stress ou depressão. Acidez orgânica – está associada a uma doença ou lesão do aparelho digestivo (é o caso da hérnia do hiato e esofagite).
Refluxo Gastroesofágico
Quando a azia é recorrente trata-se de um sintoma de esofagite, que normalmente é causada por refluxo gastroesofágico. Este fenómeno acontece devido ao facto de a musculatura que separa o estômago do esófago não se encontrar a funcionar correctamente.
Sintomas
A azia é o principal sintoma, que pode piorar, por exemplo, quando se dobra o peito sobre a barriga e quando se deita com o estômago cheio. Por vezes, origina tosse e possível engasgo que atrapalha a respiração, mesmo durante o sono. A sensação de bola na garganta, alteração na voz, desconforto ao engolir ou as fortes dores no peito são consideradas complicações do refluxo e levam a uma dismotricidade esofágica.
Causas
As causas mais comuns do refluxo gastroesofágico são a presença de hérnia do hiato, obesidade e tabagismo. O refluxo ácido ligeiro e transitório é frequente e não tem significado patológico. Pode ocorrer na gravidez e afecta sobretudo os obesos. Nos bebés, até ao primeiro ano de vida, pode ocorrer um refluxo gastroesofágico excessivo que se se tornar repetitivo, pode levar a infecções e distúrbios respiratórios. Também a acidez elevada, a excessiva produção de ácido gástrico, as pedras na vesícula, entre outras, contribuem para o refluxo gastro-esofágico. E a ingestão de alimentos condimentados, gordurosos, o tabaco e o álcool, a má alimentação (dormir logo após a refeição, excesso de comida) são factores que também ocasionam e pioram os efeitos do refluxo.
Diagnóstico
O diagnóstico é feito através de uma endoscopia digestiva alta, que poderá indicar a presença de hérnia de hiato e esofagite.
Tratamento
A azia e o refluxo podem ser aliviados através de: cuidados alimentares, alteração de certos hábitos de vida, medicamentos e a toma de suplementos naturais.
Cuidados Alimentares
As refeições não devem ser demasiado abundantes. Os alimentos devem ser bem mastigados e ensalivados; a ingestão de líquidos ao longo do dia (cerca de 1l-1,5l de água) é essencial; descubra os alimentos que lhe provocam azia e evite comê-los; evite bebidas alcoólicas pois o álcool provoca lesões nas mucosas; alguns medicamentos podem provocar azia. Se tal acontecer, fale com o seu médico. Evite beber água às refeições, será melhor fazê-lo antes ou depois. Tente também evitar refeições pesadas ao jantar. O consumo de bananas é aconselhado já que estas formam uma camada protectora na parede do estômago, diminuindo os ataques de acidez. O chá verde após as refeições é considerado um bom antiácido. Alimentos facilmente digeríveis, como o queijo fresco, são também aconselhados.
Leve uma vida calma e evite o tabaco. Tome apenas medicamentos aconselhados pelo seu médico ou técnico de saúde. Prefira antiácidos que não contenham alumínio. O consumo de leite e bicarbonato para aliviar os sintomas apenas vão camuflar o problema. Existem suplementos naturais que podem ajudar, destacando-se a acção do litotâmnio, alteia, milfolho, alcaçuz e melissa (erva-cidreira).
O litotâmnio é uma alga calcária, rica em substâncias minerais marinhas e em carbonato de cálcio. Além de propriedades antiácidas, fornece cálcio ao organismo, neutraliza a acidez gástrica e evita e reduz as dores de estômago, ardores e refluxo.
A argila branca pode ser utilizada por via oral em certas perturbações digestivas. Ela cobre a mucosa gastrointestinal, protegendo-a do ataque dos ácidos durante a digestão, favorece a cicatrização da mucosa gastrointestinal e absorve as toxinas presentes no tracto digestivo (absorve as substâncias ácidas e alcalinas, permitindo assim manter um pH estável no estômago e intestino).
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