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Saúde Mental - Em Tempos de Pandemia

Bem-Estar

Desde que em março de 2020 a Organização Mundial de Saúde (OMS) declarou a COVID-19 como uma pandemia, muita coisa mudou na vida das pessoas. Naturalmente, a saúde mental tem sido afetada e pode  ser um dos sintomas desta infeção.

Com a propagação à escala mundial da infeção pelo SARS-CoV-2, todos sentimos de alguma forma um impacto adicional nos níveis de stresse e de ansiedade no dia a dia. Na génese destes sintomas, podem estar vários fatores que ainda se encontram em estudo. Porém, não é difícil de perceber que o isolamento social ou a quarente-na com pouco ou nenhum contacto exterior, a necessidade de conciliar as novas dinâmicas familiares com as profissionais, o desemprego e a mudança dos comportamentos sociais para a prevenção da COVID-19 têm vindo a causar um desgaste psicológico acrescido.

Alguns autores estão ainda a avaliar se a própria COVID-19 será responsável pelo aumento da incidência de sintomas depressivos nos infetados, como consequência do processo inflamatório associado. De facto, nos infetados parece existir um risco substancialmente mais elevado para sintomas depressivos durante e após a infeção, em relação à população geral. No grupo dos não infetados, sabe-se, a partir de estudos anteriores relativos à infeção com o SARS-CoV-1 de 2003, que os efeitos colaterais na saúde mental das pessoas podem refletir-se não só durante o período de isolamento ou quarentena, como também até um ano após a epidemia.

Como Prevenir Sintomas

Apesar de existirem diferentes formas de poder melhorar os níveis de stresse e de ansiedade durante a pandemia, trazemos-lhe algumas sugestões que pode introduzir no seu dia a dia para tentar prevenir ou minimizar os sintomas de desconforto. Contudo, lembramos que, se sentir que os seus níveis de stresse ou de ansiedade são difíceis de gerir ou de controlar, deverá procurar ajuda com o seu médico ou apoio psicológico especializado.

Uso de Plantas

GRIFFONIA SIMPLICIFOLIA

o feijão desta planta é rico em 5-HTP, um aminoácido que atua como pre-cursor direto da serotonina (neurotransmissor responsável pelo bom humor). A suplementação a curto prazo com extrato de Griffonia simplicifolia parece, assim, ser uma alternativa para melhorar a sensação de bem-estar e o humor.

RHODIOLA ROSEA - RODIOLA

esta planta é tradicionalmente utilizada na medicina popular chinesa pelas suas propriedades adaptogénicas, isto é, de aumento da resistência física e da diminuição dos níveis de stresse. O mecanismo subjacente à sua ação parece ser o aumento da permeabilidade da barreira hematoencefálica (estrutura de proteção cerebral) a certos químicos responsáveis pela sensação de relaxamento e de bom humor (ex. dopamina, serotonina, endorfinas).

PASSIFLORA INCARNATA – PASSIFLORA

esta planta nativa de climas tropicais pode ser útil para casos de insónias. Alguns estudos mostram que pode contribuir para aumentar o período de sono de ondas lentas (sono profundo), com consequente redução do período de tempo acordado e do sono REM (movimento rápido dos olhos, fase em que ocorrem os sonhos).

principais fatores de risco

Nutrientes Adequados

TRIPTOFANO

trata-se de um aminoácido essencial que é precursor da síntese de serotonina. A sua ingestão adequada é fundamental, já que o organismo não consegue produzi-lo. Por outro lado, o reforço do seu consumo em pessoas com sintomas de depressão e ansiedade demonstrou, em alguns estudos, promover uma melhoria significativa dos sintomas. Exemplos de alimentos ricos em triptofano são o feijão de soja, o queijo e a spirulina.

MAGNÉSIO

alguns autores ligam o défice da ingestão deste mineral ao desenvolvimento de sintomas de depressão e ansiedade. Ao mesmo tempo, o défice de magnésio é difícil de diagnosticar dado que a maior parte deste mineral se encontra a nível celular e não em circulação no sangue. Esta suplementação parece ser benéfica para a melhoria dos sintomas psicológicos, principalmente para aqueles com uma ingestão insuficiente deste nutriente. Procure assim consumir mais amêndoas e espinafres, por exemplo.

ÓMEGA-3

os padrões atuais de alimentação estão associados a um elevado desequilíbrio na ingestão de ómega-3 (anti-inflamatório) em relação a ómega-6 (pró-inflamatório, predominantemente), sendo em média três vezes mais baixo em relação ao recomendado. Estes ácidos gordos são necessários, entre outras funções, para a proteção da bainha de mielina (membrana) dos neurónios, e estudos mostram que a suplementação com este nutriente melhora os sintomas depressivos. Outra forma de melhorar o rácio de ómega-3:ómega-6 é aumentar o consumo de peixe e reduzir o de carne e de alimentos processados.

Outros Compostos

MELATONINA

quando existe uma diminuição dos níveis de serotonina no organismo, é comum haver também uma menor disponibilidade de melatonina. Não é, por isso, de estranhar que quem sofre de depressão tenha também problemas para dormir. A melatonina é responsável por induzir o sono e, no caso de insónias ou dificuldade em adormecer, o reforço deste composto nutricional na dieta pode ser útil. Para além das opções de suplementação, pode ainda procurar consumir mais alimentos como nozes, banana e leite.

FLORAIS DE BACH

estes florais são utilizados por algumas pessoas com o intuito de promover o equilíbrio emocional. Edward Bach foi um médico, patologista e bacteriologista que criou os 38 florais conhecidos hoje e que, segundo a sua filosofia, contemplam todas as emoções passageiras e regulares do indivíduo. Neste caso, o Elm, Sweet Chestnut, Aspen e Impatiens são alguns exemplos indicados para promover sentimentos de segurança e de coragem.