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A importância do ferro para prevenir anemias

Nutrição

O ferro é um mineral importante para a saúde do organismo. É um componente essencial da hemoglobina (uma proteína presente nos glóbulos vermelhos que transporta o oxigénio dos pulmões para os tecidos) e da mioglobina (que transporta e armazena oxigénio nos músculos). O ferro é também importante para o crescimento, desenvolvimento, funcionamento celular normal e para a produção de algumas hormonas. Quando a ingestão de ferro é inadequada para satisfazer as necessidades ou para compensar as perdas fisiológicas ou patológicas, as reservas deste mineral começam a diminuir. À medida que estas reservas se esgotam, os níveis sanguíneos de ferro  diminuem, assim como a produção de hemoglobina, o que pode levar a uma anemia por défice de ferro (anemia ferropénica).

Défice de ferro: os sintomas

O défice de ferro pode tanto ser assintomático, como desencadear alguns sintomas. Estes podem ser sentidos tanto na presença como na ausência de anemia. Os sintomas e sinais comuns incluem:

  • Tonturas
  • Fadiga
  • Palidez
  • Zumbidos
  • Diminuição da concentração
  • Dor de cabeça

Défice de ferro: o diagnóstico

A ferritina é uma proteína que tem como principal função armazenar o ferro que consumimos, pelo que a avaliação da sua concentração sanguínea é, atualmente, o teste mais eficiente e económico para diagnosticar um eventual défice de ferro. Torna-se importante esta avaliação, já que a ferritina pode identificar um nível baixo de ferro antes do início da anemia. Por forma a identificar se já existe anemia ferropénica, é essencial, também, a análise da concentração do hematócrito e de hemoglobina.

Populações de maior risco de anemia

Ainda que todos estejamos suscetíveis de vir a ter anemia, existem determinados grupos com maior propensão para tal:

  • Idosos. Podem ser considerados uma população de alto risco, uma vez que a prevalência de défice de ferro aumenta com a idade, devido à redução da ingestão oral, má absorção e/ou perda excessiva de peso;
  • Mulheres com hemorragia menstrual intensa. As reservas de ferro nas mulheres em idade reprodutiva são mais influenciadas pelo volume de perda de sangue menstrual do que pela ingestão de ferro na alimentação. A hemorragia menstrual intensa afeta cerca de 20% das mulheres em idade reprodutiva, sendo que pode ser responsável por cerca de 33% a 41% dos casos de défice de ferro nesta população;
  • Dadores de sangue frequentes. Cada doação de sangue retira ao dador cerca de 250mg de ferro, pelo que a frequência das dádivas pode ser considerada um fator de risco para o défice de ferro. Estratégias para diminuir este risco incluem a medição da ferritina antes da doação, aumentar o intervalo entre doações e incluir suplementos alimentares de ferro após as doações;
  • Pessoas com situações gastrointestinais. Indivíduos com doença celíaca, colite ulcerativa, doença de Crohn ou que foram submetidas a cirurgias gastrointestinais, normalmente, requerem restrições alimentares que podem resultar numa diminuição da absorção de ferro ou perda de sangue no trato gastrointestinal.

O papel da nurição e da alimentação

O ferro disponível nos alimentos pode ser do tipo heme e não-heme, sendo que o primeiro tem uma absorção superior ao segundo. Em alimentos de origem animal, podem encontrar-se ambos os tipos de ferro, enquanto os alimentos de origem vegetal apenas contêm ferro não-heme. Por isso, devido à menor capacidade absortiva do ferro não-heme, as ingestões diárias recomendadas deste mineral nas pessoas vegetarianas devem ser maiores. O ferro pode ser encontrado em diferentes alimentos:

  • Alimentos de origem vegetal: leguminosas, cereais integrais, beterraba e frutos secos;
  • Alimentos de origem animal: carne vermelh e marisco;
  • Suplementos alimentares: doses de ferro mais elevadas (45 mg/dia ou mais) podem causar efeitos colaterais gastrointestinais, como náuseas e obstipação. As formas de ferro frequentemente utilizadas incluem sais de ferro ferroso e férrico, sendo que as formas de ferro ferroso, como bisglicinato, gluconato e sulfato, são mais facilmente absorvidas e causam menores efeitos gastrointestinais.

Além disso, para garantir uma absorção adequada do ferro deve ter em conta que alguns compostos:

Diminuem a absorção de ferro:

  • Cálcio: presente em queijo, iogurtes e leite;
  • Fitato: presente nas leguminosas e cereais integrais;
  • Polifenóis (taninos e catequinas): presentes no chá, café, especiarias e cacau;
  • Redução da acidez gástrica.
Aumentam a absorção de ferro não-heme:

  • Vitamina C: promove a conversão do ferro férrico em ferroso. Encontra-se presente em frutas cítricas, sumo de tomate, batata, pimento verde e vermelho, kiwi, brócolos e morango.
  • Vitamina A e betacaroteno: presente na cenoura, rúcula, abóbora, beterraba, manga e batata-doce laranja.