Consumidos há largas décadas, o modo como os cogumelos são utilizados varia consoante a região, a cultura e a espécie. Além de fazerem parte da nossa alimentação, graças ao valor nutricional que apresentam, os cogumelos têm também potencialidades medicinais. Torna-se importante saber diferenciar aqueles que se destinam a consumo enquanto alimento e que podemos adicionar aos nossos pratos, daqueles que são utilizados para fins medicinais.
Perfil Nutricional
Além das diferenças visíveis, como a sua forma, cor ou tamanho, também a sua composição nutricional, apesar de semelhante entre eles, varia consoante a espécie, estado de maturação e características do solo. Sendo maioritariamente compostos por água – que corresponde a aproximadamente 90% do seu peso –, acabam por apresentar um valor calórico relativamente reduzido, fornecendo aproximadamente entre 30 e 40 kcal por cada 100 gramas. Com valores de hidratos de carbono a variar entre os 4 e os 9%, e com conteúdo lipídico também baixo, os cogumelos destacam-se pela sua composição em proteínas, fibras, vitaminas e minerais.
Cogumelos Comestíveis
Os cogumelos comestíveis, como os brancos ou Paris, Marrom, Shiitake ou Portobello, são na sua maioria comercializados e consumidos na forma fresca ou como produto seco ou desidratado. São bastante versáteis no que diz respeito aos métodos de confeção: podem ser cozidos, salteados, assados, utilizados em sopas, chás ou em diversos tipos de pratos tradicionais. Importa ter em consideração que, quando utilizados como alimento, na sua forma fresca, os cogumelos são produtos bastante perecíveis, encontrando-se sujeitos a diversas alterações que podem resultar na sua rápida deterioração. Por este motivo, é importante mantê-los refrigerados até ao momento do seu consumo.
Cogumelos Medicinais
Os cogumelos destinados a fins medicinais são maioritariamente utilizados em produtos sob a forma de extrato líquido, podendo também encontrar-se em pó. Existem diversas destas espécies sob a forma de suplementos alimentares, tanto em pó, como em cápsulas.
- Shiitake Lentinula edodes:
Uma das variedades mais conhecidas e com maior versatilidade de utilizações. Com uma composição proteica bastante interessante, uma vez que apresenta oito dos nove aminoácidos essenciais, o cogumelo Shiitake fornece também ácido linoleico (um ácido gordo polinsaturado), vitamina B e β-glucanos, importantes para a manutenção da função imunitária.
- Chaga Inonotus obliquus:
Comercializado como suplemento alimentar, sob a forma de cápsulas, mas também disponível em pó, permitindo que seja adicionado a cafés, chás, batidos ou sopas, o cogumelo Chaga é associado a propriedades antioxidantes, pela sua capacidade em neutralizar os efeitos dos radicais livres. Existem também estudos que associam este cogumelo a algumas propriedades antivirais e anti-inflamatórias.
- Lion’s Mane Hericium Erinaceus:
O seu nome significa, em português, “Juba de Leão”. Tem sido recentemente estudado pelo seu potencial
enquanto aliado na prevenção do aparecimento de doenças neurodegenerativas, como Parkinson ou Alzheimer. Além de apresentarem componentes importantes para o bom funcionamento do sistema imunitário, existem também estudos que apontam o cogumelo Lion’s Mane como tendo um potencial benéfico em casos de depressão.
- Maitake Grifola frondosa:
Os principais benefícios encontram- se associados aos seus compostos ativos, nomeadamente β-glucanos e proteoglicanos. Estes são os componentes mais estudados do Maitake que parecem apoiar o sistema imunológico e têm potencial antiproliferativo, contribuindo para a prevenção de vários tipos de cancro.
- Reishi Ganoderma lucidum:
Os seus principais compostos bioativos são os polissacáridos e glicoproteínas como os β-glucanos, os terpenóides, alguns aminoácidos essenciais (ex. lisina, leucina, metionina) e minerais. Apresenta propriedades antioxidantes e uma ação positiva na imunidade ao estimular as células imunitárias, como os linfócitos B e T. Alguns estudos encontraram ainda uma associação positiva na prevenção da doença cardiovascular. Graças aos β-glucanos, pode reduzir a agregação plaquetária, o colesterol LDL, o colesterol total e os triglicéridos.
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