O Transtorno do Défice de Atenção e Hiperatividade (TDAH) afeta cerca de 7% das crianças e adolescentes a nível mundial, variando entre as diferentes regiões. Apesar de ser menos prevalente, pode persistir na idade adulta, afetando cerca de 2,5% da população. Os principais sintomas incluem hiperatividade, falta de atenção e dificuldades no equilíbrio emocional.
TDAH e a Alimentação
Embora o tratamento farmacológico seja a base do controlo do transtorno, e a genética desempenhe um papel relevante, a alimentação tem sido cada vez mais estudada pela sua influência no controlo do TDAH. Estudos indicam que crianças com TDAH consomem frequentemente mais alimentos processados e ricos em açúcares, como refrigerantes, bolos e alimentos de fast food – fator associado ao agravamento dos sintomas. Em contrapartida, padrões alimentares equilibrados, que incluam frutas, legumes, peixes ricos em ácidos gordos polinsaturados (ómega 3 e ómega 6) e cereais integrais, têm mostrado efeitos benéficos na saúde cognitiva e comportamental.
O papel das vitaminas e minerais
Nutrientes como vitamina D, ferro e zinco são cruciais para a função cognitiva e o equilíbrio emocional. Deficiências destes nutrientes estão ligadas a um aumento dos sintomas do TDAH. A suplementação com multivitamínicos e minerais que incluam estes nutrientes parece apoiar na redução de sintomas, como falta de atenção e hiperatividade, contribuindo para um melhor funcionamento cognitivo e comportamental.
A importância do ómega 3
Os ácidos gordos ómega 3, principalmente EPA e DHA, são fundamentais para o desenvolvimento cerebral, uma vez que são componentes importantes das membranas celulares e estão envolvidos em processos biológicos cerebrais. Crianças com TDAH tendem a apresentar baixos níveis de ómega 3, o que pode prejudicar a função cognitiva. Estudos indicam que a suplementação com ómega 3 pode contribuir para a melhoria do humor, da atenção e da hiperatividade.
O papel da microbiota intestinal
A relação entre a microbiota intestinal e o cérebro tem sido destacada na literatura. Estudos recentes sugerem
que crianças com TDAH podem apresentar desequilíbrios ao nível da microbiota intestinal, o que pode contribuir para o desenvolvimento dos sintomas. O consumo de probióticos (microrganismos vivos, como bactérias e leveduras) pode promover a produção de ácidos gordos de cadeia curta e apoiar a integridade da barreira intestinal, resultando em efeitos positivos na saúde mental. Também o consumo de prebióticos, juntamente com os probióticos, tem mostrado melhoria nos sintomas deste transtorno, promovendo uma melhor função cognitiva.
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