Diariamente, precisamos de um período de descanso que nos permite recuperar e acumular a energia necessária para o dia seguinte. Regra geral, ao fim de um dia de trabalho, uma noite de sono, dever-nos-ia deixar preparados para enfrentar as tarefas diárias. Contudo, é cada vez mais comum ouvir relatos de pessoas que se queixam de que uma noite de sono não é suficiente para recuperar forças. Este é apenas um dos muitos sintomas da fadiga, cuja acumulação se repercute em todas as actividades que desempenhamos. Outros sintomas usuais poderão ser a respiração acelerada ao mínimo esforço, a falta de concentração, dores e tensão muscular, frequentes dores de cabeça e ansiedade.
Caso estes sintomas se manifestem durante duas ou três semanas consecutivas, deverá consultar o médico, pois poderá estar perante um problema mais grave. Na base desse cansaço permanente pode estar um estilo de vida pouco saudável, caracterizado por maus hábitos alimentares, situações de excesso de álcool, tabaco e cafeína, aliadas à quase inexistente prática de exercício físico que originam importantes carências nutricionais. A fadiga pode ainda resultar de situações de stress, como são os problemas emocionais ou profissionais, por exemplo. Por outro lado, essa fadiga persistente poderá resultar de infecções provocadas por vírus ou bactérias, anemia, doenças cardiovasculares, problemas relacionados com a tiróide, cancro, diabetes, depressão, síndroma da fadiga crónica, entre outras afecções. A prática de exercício físico muito exigente, intenso e contínuo, poderá também originar estados de fadiga.
É muitas vezes difícil identificar concretamente as suas causas, mas uma vez excluídas as hipóteses de doenças graves como causadoras directas da fadiga, alguns suplementos naturais podem revelar-se bastante úteis. Contudo, mais uma vez recordo que nenhum suplemento substitui os nutrientes fornecidos pelos alimentos. Assim, também aqui a alimentação desempenha um papel primordial. Prefira alimentos integrais, vegetais frescos e fruta em detrimento de alimentos processados e refinados.
No que respeita a suplementação, em primeiro lugar, julgo ser importante um multivitamínico e mineral para ajudar a colmatar qualquer eventual carência. No que respeita a fadiga, são benéficos os suplementos que ajudam a fornecer energia. Destaco a vitamina C, considerada a vitamina energética, por excelência, pois ajuda a combater o stress e a fadiga. As vitaminas do grupo B (principalmente a Vit. B12, B2, B3 e o ácido fólico) são também importantes pois ajudam a regenerar os tecidos. A vitamina E, presente em abundância no óleo de gérmen de trigo, é também benéfica devido às suas características antioxidantes.
Outro suplemento a salientar é a L-carnitina, pois converte os alimentos em energia, ou seja, é responsável pelo transporte dos ácidos gordos de cadeia longa, transformando-os em energia nas mitocôndrias (desempenham um papel essencial nos processos energéticos da célula). Deste modo, a abundante energia que a L-carnitina ajuda a criar é benéfica a vários níveis. Como actua directamente nos tecidos musculares, este nutriente é utilizado por desportistas porque ajuda a aumentar a resistência, a aliviar a fadiga física e mental, a promover o desenvolvimento da massa muscular, bem como ainda ajuda na recuperação de lesões.
O co-enzima Q-10 pode ser benéfico no combate à fadiga, pois a sua principal função química é ser responsável pela produção de energia nas células, auxiliando os enzimas nos seus processos catalisadores, imprescindíveis ao funcionamento do nosso organismo. Assim, é utilizado como substância ergogénica (que melhora a «performance» atlética), devido ao facto de beneficiar o rendimento muscular e ajudar a combater a fadiga.
Destaco ainda a acção do magnésio, visto que este é um mineral que activa cerca de 76% dos enzimas do nosso organismo. Este nutriente exerce muitas acções reguladoras, das quais saliento, neste âmbito, a sua intervenção no metabolismo energético das proteínas, das gorduras e dos hidratos de carbono. O magnésio pode ajudar em casos de ansiedade, insónia, irritabilidade, depressão, cãibras musculares, entre muitas outras.
No que respeita os suplementos fitoterápicos destaco a acção do Ginseng (Panax ginseng), uma das plantas mais utilizadas na medicina tradicional chinesa. De um modo geral, os seus componentes activos (ginsenósidos) conferem-lhe propriedades adaptogénicas, isto é, ajudam o organismo a suportar as agressões. Esta planta pode ser útil em casos de fadiga (física, sexual ou mental) e em períodos de excesso de trabalho (físico ou intelectual), pois permite induzir uma melhor produção e/ou utilização de energia com diminuição dos sintomas de exaustão. No desporto, ajuda a melhorar as capacidades motoras, optimiza o consumo de oxigénio e as capacidades respiratórias e favorece a recuperação após o esforço. De um modo geral, permite aumentar o rendimento físico sem ter efeitos dopantes, razão pela qual o Ginseng é utilizado por várias equipas olímpicas.
O Guaraná (Paullinia cupana), devido ao seu teor de cerca de 5% de guaranina (substância semelhante à cafeína), é utilizado essencialmente como estimulante. Assim, é constituinte de grande variedade de bebidas energéticas, pois ajuda a manter e a aumentar a concentração, ao mesmo tempo que contribui para combater a fadiga e reforçar a resistência física. Contudo, os problemas que se aplicam ao abuso de cafeína (insónias, nervosismo, palpitações, etc.) são também inerentes ao guaraná.
Para além destas sugestões naturais para ajudar a combater a fadiga, aconselho ainda a que tente fazer um sono repousante (7 a 8 horas), pratique exercício físico regularmente ou experimente, por exemplo, algumas técnicas de relaxamento como o Yoga ou o Tai Chi.
Pedro Lôbo do Vale
Médico
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