Tal como o iogurte, o kefir é um alimento probiótico cremoso, de sabor ligeiramente amargo, que resulta da fermentação do leite. É originário do Cáucaso onde começou a ser consumido há milhares de anos. Este povo acreditava que o seu consumo era um dos responsáveis pela longevidade incomum da população.
A fermentação do iogurte é resultante de uma fermentação láctica, onde a lactose é parcialmente transformada em ácido láctico. Já no caso do kefir a fermentação é lacto-alcoólica, onde, após a fermentação, a lactose (ou outro açúcar, no caso dos kefires de origem vegetal) dá origem a dióxido de carbono – motivo pelo qual, por vezes, existe gás dentro das embalagens do kefir – e a uma quantidade insignificante de álcool. Este tipo de fermentação origina nutrientes mais fáceis de digerir e mais facilmente tolerados por pessoas com intolerância à lactose.
A fermentação é obtida pela adição ao leite dos chamados grãos de kefir (ou culturas mães obtidas de grãos de kefir) que são formados por uma mistura complexa de bactérias e leveduras unidas a uma matriz polissacarídea. Quando adicionados ao leite (de vaca, cabra, ovelha, soja, coco, etc.) vão fermentá-lo, incorporando na sua constituição bactérias e leveduras benéficas, bem como outros nutrientes vantajosos à nossa flora intestinal.
Comparado com o iogurte, o kefir é mais rico devido ao número superior de bactérias e leveduras utilizado no processo de fermentação, das quais se destacam: L. bulgaricus, S. thermophilus, L. acidophilus, L. casei, entre muitas outras bifidobactérias e leveduras.
O Que Dizem Alguns Estudos sobre o Kefir
1. É um Probiótico Mais Completo do que o Iogurte
Sabe-se que alguns microrganismos têm efeitos benéficos na saúde de forma geral. Alguns des-ses microrganismos, chamados probióticos, influenciam a saúde de diversas formas, quer seja no processo digestivo, no controlo do peso e até na saúde mental. Na dieta ocidental, o alimento mais comum a apresentar uma quantidade significativa destes microrganismos é o iogurte. Atualmente, sabe-se que o kefir é uma fonte mais potente de probióticos.
O kefir tem mais de 61 estirpes de bactérias e leveduras, o que o torna uma fonte probiótica muito rica, quer em termos de diversidade, como de quantidade de microrganismos, quando comparada com outras alternativas lácteas fermentadas.
2. Parece ter Potenciais Propriedades Antibacterianas
Uma das bactérias exclusivas do kefir – Lactobacillus kefiri – integra alguns estudos que demonstram que tem a capacidade de inibir o crescimento de algumas outras bactérias patogénicas como a Salmo-nella, Helicobacter pylori e E. coli.
3. Parece Melhorar a Saúde Óssea e Diminuir o Risco de Osteoporose
O kefir gordo, além de fornecer uma quantidade significativa de cálcio, tem também vitamina K2 – que tem um papel fundamental no metabolismo ósseo. Muitas vezes a suplementação com vitamina K2 é prescrita por existirem evidências de que reduz o risco de fraturas ósseas em cerca de 81%. Alguns estudos demonstram ainda que o cálcio proveniente do consumo de kefir tem uma melhor taxa de absorção a nível ósseo, o que permite uma melhor densidade óssea.
4. Devido aos Probióticos Presentes, Pode Ajudar na Diminuição dos Sintomas de Vários Problemas do Trato Gastrointestinal
As bactérias probióticas presentes no kefir ajudam a restaurar e equilibrar a flora intestinal. Desta forma, o consumo deste alimento pode ser muito útil em casos de diarreia ou obstipação. Além disso, vários trabalhos sugerem ainda que os probióticos podem aliviar outros problemas como a síndrome do intestino irritável e até úlceras causadas pela bactéria Helicobacter pylori.
5. Tem um Teor Reduzido de Lactose
A maioria dos produtos lácteos contém um açúcar próprio, chamado lactose. Cada vez mais existem adultos com intolerância à lactose, o que significa que não digerem corretamente este açúcar. As bactérias ácido-lácticas presentes nos produtos lácteos fermentados - como o kefir e o iogurte – transformam a lactose em ácido láctico, desta forma reduzem em muito o teor de lactose. Ainda assim, alguns estudos referem que, de uma forma geral, o kefir é bem tolerado por pessoas com intolerância à lactose, pelo menos quando comparados com o leite.
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