Nas últimas décadas, têm surgido muitas novas “modalidades” de exercícios físicos. Nos mais conceituados ginásios e, preconizados por figuras públicas, estes novos sistemas de exercícios são, durante algum tempo, uma moda. Porém, algumas dessas actividades, como o Pilates, são verdadeiramente benéficas para o nosso bem-estar. Este método define-se através de um conjunto de exercícios que visam o controlo dos músculos e da respiração com o objectivo de conferir maior flexibilidade, vitalidade e uma maior consciência corporal.
Este método deve a sua designação a Joseph Pilates (1880-1967), um alemão que durante a infância fora uma criança adoentada e que, desde cedo, decide contrariar a sua fraca forma física. Assim, durante a adolescência, torna-se num mergulhador, esquiador e ginasta exímio, chegando mesmo a ser jogador de boxe. Manifestava também interesse pela medicina oriental. É, durante a I Guerra Mundial, num campo de prisioneiros britânico que começa a desenvolver o seu método, ao ajudar na reabilitação de alguns feridos. Joseph Pilates começa por adaptar nas camas das enfermarias pegas e outros utensílios, para que os doentes se pudessem exercitar, fortalecendo alguns músculos. Assim, concebe e desenvolve uma série de exercícios que começa a praticar. Acaba por se estabelecer na cidade de Nova Iorque onde, no mesmo edifício do New York City Ballet, abre um estúdio. O seu método começa por ser praticado e divulgado por bailarinos importantes que aí recuperam de lesões. Com o decorrer do tempo, o método Pilates ganha adeptos e a sua fama espalha-se um pouco por todo o mundo.
Dos 34 movimentos do método original resultaram cerca de 500 variações que podem ser realizadas com o auxílio de aparelhos específicos ou no chão, em sessões individuais ou de pequenos grupos (mais ou menos 10 pessoas), com a duração média de uma hora. Estes movimentos são efectuados lentamente, com intensa concentração e apenas são repetidos num máximo de 10 vezes cada um. O primeiro objectivo é fortalecer os músculos da zona abdominal, lombar e dorsal para que o resto do corpo se possa mover livremente. Os braços e as pernas são também exercitados, mas a intenção é tonificar e não aumentar o volume dos músculos. Resumindo, o método Pilates fundamenta-se em oito princípios básicos: relaxação; concentração; alinhamento da postura; controlo da respiração; estabilização do tronco; coordenação; movimentos com fluidez; e vitalidade.
O método Pilates pode ser praticado por pessoas de todas as idades e ajuda a desenvolver o equilíbrio, a fortalecer e tonificar os músculos através dos seus movimentos precisos e controlados. Por esta razão, é uma das técnicas mais escolhidas por diversos atletas na recuperação de lesões e como parte integrante do treino. Jogadores de golf, tenistas e até ciclistas de BTT ou pilotos de todo o terreno encontram no Pilates uma maneira de se manterem em forma. Actualmente, o tipo de vida que levamos - pouco exercício físico, o modo como nos sentamos, stresse, etc. - desencadeia graves problemas posturais que originam, por exemplo, dores nas costas e no pescoço. Neste âmbito, esta prática por ser bastante benéfica, pois para além de ajudar a corrigir a postura, ajuda a relaxar e a diminuir os níveis de stresse. A prática de Pilates ajuda ainda a estimular a circulação e a promover a flexibilidade das articulações. Por estas razões, o método Pilates é recomendado por médicos, ortopedistas, osteopatas, fisioterapeutas, entre outros especialistas.
Resta apenas recomendar que deve escolher um instrutor devidamente certificado, para que possa experimentar este método de exercícios que, segundo a opinião de alguns praticantes, “apresenta resultados consistentes sem provocar dores nem lesões”. Para melhor conhecer toda a filosofia que envolve o método de Pilates pode recorrer a livros sobre este tema que encontrará com facilidade.
Pedro Lôbo do Vale
Médico
Validate your login