No organismo humano vivem triliões de microrganismos – bactérias, vírus, fungos,etc. Mas não se assuste, estes organismos encontram-se numa relação harmoniosa com o corpo humano, considerada benéfica para ambos. O grupo de microrganismos que habita no aparelho digestivo é considerado o mais amplo e o mais estudado, formando um complexo ecossistema – denominado de microbiota intestinal.
Probióticos - São definidos pela organização mundial de saúde (FAO/OMS 2001) como organismos vivos que, quando administrados em quantidades adequadas, conferem benefício à saúde do hospedeiro.
No Início Havia o Iogurte
O primeiro a observar os efeitos benéficos de algumas bactérias foi o cientista Elie Metchnikoff, reconhecido como o avô dos probióticos modernos. Em 1907, descobriu que, especialmente as bactérias ácido-lácticas, poderiam ter uma influência positiva na digestão e no sistema imune. Durante as suas viagens à região dos Balcãs, reparou que os povos rurais da Bulgária, apesar do clima severo e da pobreza extrema, viviam mais tempo do que os habitantes ricos das cidades europeias. Após pesquisar o seu estilo de vida, concluiu que um fator determinante seria a ingestão de bactérias fornecidas pelo consumo de leite azedo (também conhecido por iogurte), um elemento base presente nas suas dietas.
Na realidade, as culturas vivas de bactérias que existem hoje em dia nos probióticos fazem parte da nossa vida há milhares de anos. Antes de serem identificados através do microscópio, já se encontravam na nossa alimentação, pelo consumo de alimentos fermentados, como a cerveja, o vinho, o iogurte, o queijo, o kefir, etc. No entanto, apesar das descobertas de Elie Metchnikoff, foi só nos anos 90 do século passado que os cientistas começaram a realizar inúmeros estudos nesta área.
Uma Nova Visão
Os probióticos mais utilizados e estudados atualmente são os lactobacilos (Lactobacillus) e as bifidobactérias (Bifidobacterium). Sabe-se que interagem com o hospedeiro através de vários mecanismos, alguns dos quais se encontram em estudo, como a alteração da composição da microbiota intestinal, o fortalecimento da barreira epitelial intestinal, a produção de substâncias antimicrobianas e a manutenção do sistema imune.
A microbiota intestinal tornou-se uma fonte de estudo extremamente importante para o conhecimento de determinadas patologias e tem sido implicada em inúmeras condições, incluindo doença inflamatória, obesidade e doença cardiovascular. Assim, as possíveis aplicações dos probióticos no futuro podem ir além do equilíbrio da flora microbiana e do sistema imunitário.
Microbiota Intestinal
Constituída por vários microrganismos, principalmente bactérias de inúmeras espécies, que colonizam o trato gastrointestinal, a microbiota intestinal influencia o sistema imunitário – que se encontra maioritariamente no nosso intestino (70%). A manutenção de uma flora intestinal saudável permite que exista uma adequada função da barreira intestinal – considerada como uma importante linha de defesa do organismo contra agentes patogénicos.
Validate your login