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Osteoporose - A doença silenciosa

Bem-Estar

A osteoporose progride de forma lenta e raramente existem sintomas. Aprenda tudo sobre a doença que aparece silenciosamente.


Os ossos

A estrutura óssea do esqueleto humano é dinâmica: o osso velho esta constantemente a ser substituído por osso novo. Esta remodelação óssea ocorre quando o osso velho e destruído pelos osteoclastos (células responsáveis pela destruição óssea) que formam pequenas cavidades na superfície óssea. Por seu lado, os osteoblastos (células construtoras do osso novo) vão preenchendo essas cavidades, enquanto o cálcio e outros minerais endurecem os ossos, aumentando a sua densidade. Durante a fase de crescimento, a quantidade de osso novo e superior a de osso destruído, o que significa um aumento progressivo da massa óssea. Por volta dos 30 anos, alcança-se o pico da massa óssea, que se mantem por cinco a dez anos, dando lugar a uma fase em que se inicia a sua perda lenta e progressiva, tanto para mulheres como para homens.

Nas mulheres, com a menopausa há uma aceleração da perda de massa óssea devido à redução de estrogénio, hormona que desempenha um papel fundamental na homeostase do esqueleto. Nesta altura, são comuns as primeiras manifestações de osteoporose (“porosidade dos ossos”) que se revelam, por exemplo, pela diminuição da altura e por uma excessiva curvatura da coluna. Com o avançar da idade, a perda de massa óssea pode originar fraturas do fémur e/ou úmero, mesmo em traumatismos de menor impacto. Nos homens, o aparecimento da osteoporose parece estar associado, na maioria dos casos, à andropausa, quando os níveis de testosterona diminuem. Mas a doença só se torna mais evidente a partir dos 65 anos.


A osteoporose

Caracteriza-se por uma diminuição da massa óssea que aumenta a fragilidade dos ossos e os torna mais suscetíveis as fraturas. Em Portugal, estima-se que cause cerca de 40 mil fraturas por ano. Embora exista a possibilidade de complicações decorrentes das fraturas levarem mesmo à morte, com o melhor conhecimento desta doença e possível, hoje em dia, a sua prevenção e até a melhoria da qualidade de vida de quem dela padece.


Sintomas

Trata-se de uma doença silenciosa porque progride muito lentamente e em geral não apresenta sintomas. Sem a realização de exames, como a densitometria óssea, só quando surgem fraturas é diagnosticada a doença. Algumas deformações corporais como a diminuição da altura, ombros descaídos ou encurvamento progressivo das costas também poderão ser provocadas pela osteoporose.


Diagnóstico

A densitometria óssea e o exame mais utilizado para medir a densidade mineral óssea e compara-la com padrões para idade e sexo. Este exame permite o diagnóstico desta patologia de forma segura, rápida e precisa. Permite ainda o diagnóstico de osteopénia, uma situação indicadora de fragilidade óssea mas ainda com menor gravidade que a osteoporose. Devido a sua importância e de forma a atuar preventivamente, em especial nas mulheres, este exame deve ser feito antes da menopausa.

Quais os factores de risco?

As mulheres na menopausa e os indivíduos de ambos os sexos com mais de 65 anos têm mais probabilidades de desenvolver esta doença. No entanto, existem outros fatores de risco:

  • Menopausa precoce
  • Carência de cálcio
  • História familiar de fratura
  • Índice de massa corporal baixo
  • Tabaco, consumo excessivo de álcool e café
  • Pouca prática de atividade física
  • Raça caucasiana ou asiática
  • Doença que implique a imobilização por período prolongado
  • Doenças que alterem o metabolismo ósseo (endocrinopatias, doença reumática crónica, insuficiência renal ou anorexia nervosa)
  • Utilização de fármacos como corticosteróides, anticonvulsivantes e anticoagulantes, antidepressivos, ansiolíticos e/ou anti-hipertensores


Tratamento

Fármacos

No caso das mulheres na menopausa, a Terapia Hormonal de Substituição - que consiste em repor os níveis hormonais que existiam antes da menopausa - poderá ser importante durante o tratamento e prevenção da osteoporose, pois o estrogénio administrado contribui para a redução do risco de fraturas. Porem, há que considerar os efeitos adversos.

Para os homens, ou em situações em que as hormonas não sejam indicadas para algumas mulheres, há o recurso a fármacos como, por exemplo, os bifosfonatos. Estes contribuem para o aumento de massa óssea e, consequentemente, reduzem o risco de fratura. No entanto, tem revelado alguns efeitos adversos.

Minerais e Outros Nutrientes

De forma a prevenir a perda de massa óssea associada a menopausa e ao envelhecimento e a melhorar a densidade mineral óssea e fundamental a ingestão de determinados nutrientes, como o cálcio e a vitamina D.

O cálcio é um elemento essencial na estrutura da própria massa óssea, cuja toma em doentes com osteoporose poderá ser recomendada em dosagens mais elevadas. No entanto, sem uma suplementação de outros elementos indispensáveis a sua fixação, como a vitamina D, a sua toma revela-se ineficaz. O cálcio é o mineral predominante no corpo humano, constituindo 1,5% a 2% do total do peso corporal, e encontra-se quase na sua totalidade no esqueleto.

Vários especialistas também defendem que o magnésio e tão crítico ao nível ósseo como o cálcio, pois e necessário para a utilização e controlo deste último, podendo aumentar a atividade da vitamina D.

Atualmente, existem suplementos alimentares que combinam vários nutrientes indispensáveis a saúde dos ossos e, por isso, são benéficos na prevenção de osteopénia ou osteoporose. Procure formulas que contenham cálcio, vitamina D, outros minerais como magnésio, boro, zinco e manganês, vitamina C, K2 e vitaminas do grupo B. No caso das plantas, a cavalinha (Equisetum arvense) e benéfica devido ao seu elevado teor de silício que ajuda a fortalecer os ossos.

Os fitoestrogénios, em especial as isoflavonas de soja, favorecem a remineralização óssea, uma vez que são estruturas com atividade semelhante a dos estrogénios mas sem os efeitos adversos associados a toma destes. Também apresentam efeitos protetores contra a desmineralização óssea, pois possuem uma capacidade inibitória da atividade dos osteoclastos.

Alimentação e Exercício Físico

Uma dieta equilibrada e a manutenção de um peso saudável são imprescindíveis. Deve aumentar-se a ingestão de alimentos ricos em cálcio como, por exemplo, leite e bebidas enriquecidas neste mineral, queijo, iogurte, peixes como o salmão e a sardinha enlatada (incluindo as espinhas), vegetais de folha verde, frutos secos (amêndoas), feijão, soja e tofu, entre muitos outros. Devem evitar-se o sal e açúcar em excesso, as bebidas carbonatadas, as carnes vermelhas e os alimentos refinados e/ou processados. Aumentar a ingestão de soja e seus derivados em substituição da carne vermelha e lacticínios, entre outras vantagens permitira um aporte natural de fitoestrogénios na alimentação. A prática de atividade física de carga também se tem revelado de extrema importância na osteoporose, pois contribui para a redução e ate estabilização da perda de massa óssea. Os exercícios recomendados são: marcha, dança ou exercícios com resistência como pesos livres, aparelhos ou fitas de borracha.

O Tai-chi pode ser uma opção interessante para quem pretende melhorar o equilíbrio e postura, o que contribui para a redução do risco de quedas. Salvo algumas exceções e contrariamente a muitas outras vantagens que lhe são reconhecidas, em casos de osteoporose a natação não e recomendada pois não é realizada em carga.

Prevenção de Quedas

A prevenção de quedas e traumatismos e tao importante quanto a própria toma de medicamentos/suplementos para a osteoporose.

Tornar a casa mais segura e adotar hábitos igualmente menos propensos a quedas e consequentes fraturas deverão ser medidas a tomar, quer a título preventivo desta doença em idades mais avançadas, quer perante o diagnóstico de osteopénia ou osteoporose.

  • Utilizar calcado não escorregadio e sem saltos altos.
  • Evitar tapetes e outras saliências como fios elétricos expostos nos quais pode tropeçar pela casa.
  • Ter os objetos mais utilizados a uma altura acessível para evitar subir a bancos e escadotes.
  • Ter corrimões nas escadas e suportes e tapetes antiderrapantes na banheira para reduzir o risco de quedas.
  • Não arrastar os pés e olhar para o solo ao andar.