Frequentemente descrita como uma "epidemia silenciosa", a osteoporose é uma doença caracterizada pela redução da densidade óssea e pela deterioração da estrutura interna do osso, o que torna o esqueleto mais vulnerável a fraturas. O maior perigo é que a doença não apresenta sintomas nas fases iniciais e, muitas vezes, só é detetada quando ocorre a primeira fratura.
Pico de massa óssea
A densidade óssea é adquirida desde a infância, atingindo o pico no início da idade adulta. Quanto maior o pico de massa óssea alcançado nos primeiros 20 anos, maior a margem de segurança contra a perda óssea futura. A quantidade máxima de tecido ósseo acumulada até ao final da maturação do esqueleto é um importante determinante do risco de fraturas. Estratégias para maximizar este pico incluem uma nutrição adequada e a prática regular de atividade física, especialmente na juventude, fatores essenciais para a construção de um esqueleto robusto e resistente.
Declínio da densidade óssea
A perda de massa óssea inicia-se por volta dos 50 anos, nas mulheres, e dos 65 anos, nos homens. O envelhecimento acentua a desmineralização óssea, sendo a osteoporose cerca de três vezes mais prevalente no sexo feminino. Tal acontece principalmente devido às alterações hormonais da menopausa e ao facto de que, em média, as mulheres atingem um pico de massa óssea menor. De todas as complicações, a fratura da anca é a mais grave. De acordo com a OMS, o risco de fratura da anca ao longo da vida situa-se entre 14% e 20% em mulheres caucasianas na Europa, e é provável que essa percentagem aumente à medida que a mortalidade por outras condições diminui.
Prevenir a osteoporose
Ainda que não possa ser 100% prevenida, existem estratégias que podem ajudar a atenuar a osteoporose, tendo impacto na saúde óssea:
Alimentação
Alguns nutrientes desempenham um papel determinante na saúde óssea, e prevenir as suas deficiências é fundamental para reduzir o risco de osteoporose:
- Cálcio: Principal componente mineral do osso, responsável pela sua resistência estrutural;
- Vitamina D: Necessária para a absorção de cálcio e incorporação no osso;
- Proteínas: Fundamentais na matriz de colagénio que sustenta a mineralização óssea;
- Magnésio: Contribui para a formação óssea e regulação do metabolismo do cálcio;
- Vitamina K: Contribui para a ativação de proteínas envolvidas na mineralização óssea, sendo essencial para o equilíbrio do metabolismo ósseo;
- Boro: Auxilia a fixação do cálcio e magnésio nos ossos, ajudando a preservar a densidade óssea.
Estilo de vida
Para preservar a saúde óssea e reduzir o risco de osteoporose, recomenda-se:
- Cessação tabágica;
- Redução ou eliminação do consumo excessivo de álcool;
- Manutenção de um peso corporal equilibrado, pois tanto o excesso quanto o baixo peso (IMC < 19) aumentam a fragilidade óssea;
- Prática regular de exercício físico, privilegiando exercícios de resistência e impacto controlado, que estimulam a formação óssea e mantêm a densidade mineral.
Rastreio
Os principais fatores de risco incluem a ocorrência prévia de fraturas de fragilidade, história familiar de osteoporose, baixo peso corporal, doenças crónicas e a utilização prolongada de medicamentos que interferem com o metabolismo ósseo. O rastreio deve ser realizado de forma individualizada, tendo em consideração
os fatores de risco, idade e a probabilidade de fratura. A densitometria óssea (DXA) mantém-se como o exame de referência para a avaliação da densidade mineral óssea, permitindo confirmar o diagnóstico de osteoporose e estimar o risco de fratura.
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