Apesar de se conhecer cada vez mais sobre a importância da vitamina D para a saúde, a insuficiência deste nutriente continua a ser muito frequente. Em Portugal, um estudo da Universidade do Porto estimou que cerca de 78% da população apresenta níveis insuficientes de vitamina D, um valor que tem surpreendido investigadores, sobretudo por se tratar de um país com muitas horas de sol.
Metabolismo e funções
A vitamina D pode ser obtida através da alimentação, mas também produzida pelo próprio organismo quando a pele é exposta à luz solar. A radiação UVB desencadeia a síntese de vitamina D na pele, podendo contribuir para uma parte significativa das necessidades do organismo.
Depois de formada ou ingerida na dieta, a vitamina D passa por duas etapas de transformação no organismo: primeiro no fígado e depois no rim, onde é convertida na sua forma biologicamente ativa. Nesta forma ativa, a vitamina D participa em vários processos importantes, nomeadamente, manutenção da saúde óssea, regulação do sistema imunitário e equilíbrio do metabolismo do cálcio.
Nos últimos anos tem também sido investigado o seu possível papel em áreas como a função cerebral e o bem-estar psicológico, embora esta relação ainda continue a ser estudada.
Como se define a insuficiência?
O estado de vitamina D no organismo é avaliado através da medição sanguínea da 25-hidroxivitamina D. Segundo a Direção-Geral da Saúde (DGS), a insuficiência de vitamina D classifica-se com valores entre 50 e 75 nmol/L (ou 20-30 ng/ml). Ao mesmo tempo, a deficiência considera-se quando existem valores inferiores a 50 nmol/L (ou
20 ng/ml). A deficiência representa uma situação mais grave e pode ter consequências clínicas, sobretudo para a saúde óssea.
Quais as causas mais prováveis?
Não ingerir a quantidade adequada de vitamina
A vitamina D está presente naturalmente em poucos alimentos. As principais fontes são os peixes gordos (como sardinha, salmão ou cavala), a gema de ovo, alguns produtos lácteos e os alimentos fortificados, como certos cereais de pequeno-almoço ou bebidas vegetais.
Como o consumo de peixe é relativamente baixo em parte da população, a ingestão alimentar de vitamina D tende a ser limitada. Nestes casos, recomenda-se a avaliação da necessidade de suplementação junto de um profissional de saúde, sobretudo quando existem fatores de risco para o défice.
Não fazer exposição solar suficiente
Segundo os especialistas, para se produzir vitamina D na pele através do sol, é preciso ter entre 5 a 30 minutos de exposição solar na maioria dos dias da semana, em áreas de corpo não cobertas, como os braços e as pernas. Contudo, alguns fatores afetam a capacidade da pele em produzir vitamina D, tais como a estação do ano, a altura do dia (o pico da produção é entre as 10h e as 14h), a presença de nuvens, poluição ambiental, o conteúdo natural da pele em melanina e o uso de protetor solar.
Excesso de peso e obesidade
A vitamina D é lipossolúvel, o que significa que pode ser armazenada no tecido adiposo. Em pessoas com excesso de peso ou obesidade, parte da vitamina D pode ficar “sequestrada” nas células adiposas, reduzindo a sua disponibilidade no sangue.
Gravidez e amamentação
Durante estas alturas específicas da vida da mulher, as necessidades nutricionais aumentam e pode existir maior risco de insuficiência de vitamina D.
Idade superior a 65 anos
Com o envelhecimento, a pele perde parte da capacidade de produzir vitamina D quando exposta ao sol.
Síndromes de má absorção intestinal
Doenças que afetam a absorção de gordura no intestino, como a doença celíaca ou a doença inflamatória intestinal, podem reduzir a absorção desta vitamina.
Tomar determinadas medicações
A toma de alguns medicamentos pode comprometer o estado da vitamina D no organismo. Aquilo que se conhece até ao momento é que a toma de corticoides pode comprometer a absorção do cálcio, e, com isso, afetar o metabolismo da vitamina D. Também os antiepiléticos podem aumentar o metabolismo e a degradação da vitamina D no organismo, levando a uma diminuição mais acentuada das reservas.
Genética
Um estudo realizado pela Universidade de Lisboa verificou que, apesar da exposição solar mais significativa, cerca de 60% da população portuguesa apresenta níveis de vitamina D muito baixos, quando comparado com cerca de 20% da população finlandesa, por exemplo, para a mesma época do ano. Este fenómeno pode ser explicado pela existência de mutações genéticas na população portuguesa que levam a uma predisposição para o défice desta vitamina. Esta prevalência do défice parece ser, no geral, quatro vezes superior à média europeia.
O que fazer em caso de défice?
Atualmente, existem autotestes que permitem a deteção rápida de défice ou não de vitamina D, e que podem
ser um bom indicador da necessidade de realização de análises mais específicas. O doseamento sanguíneo dos valores de vitamina D continua a ser o método mais fiável para diagnosticar o défice deste nutriente. De acordo com alguns estudos, estima-se que a quantidade necessária de vitamina D para corrigir o seu défice varia entre as 2000 e as 4000 UI por dia, no caso dos adultos. Nesta situação, sugere-se o aconselhamento com um profissional de saúde.
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