A doença de Alzheimer é uma doença cerebral irreversível e progressiva que destrói lentamente a memória e outras capacidades cognitivas, como a atenção, a concentração, a linguagem e o pensamento. Eventualmente, as pessoas com esta doença perdem a capacidade de realizar tarefas simples do quotidiano, podendo também trazer consigo alterações de comportamento e de personalidade.
Na maioria das pessoas com Alzheimer, os sintomas aparecem pela primeira vez por volta dos 60 anos. Segundo dados de um estudo sobre Portugal, estima-se que a percentagem de pessoas com mais de 60 anos e com demência seja de 5,9% e que, destes, entre 50 a 70% tenham Alzheimer. A doença é duas vezes mais comum em mulheres do que em homens, em parte porque as mulheres têm maior expectativa de vida.
Apesar das causas ainda não serem totalmente conhecidas, sabe-se que existe uma forte tendência familiar ou genética. Contudo parece existir uma relação entre a doença de Alzheimer e certos problemas vasculares como a doença cardíaca, hipertensão, história de enfarte, assim como com a diabetes e a obesidade. Por outro lado, fazer uma dieta equilibrada e exercício físico regular, manter uma vida social ativa e realizar atividades mentalmente estimulantes são fatores que parecem reduzir o risco de declínio cognitivo e de doença de Alzheimer.
Nutrientes e Plantas Importantes
Ómega-3
Já muito se sabe sobre a im-portância destes ácidos gordos essenciais na saúde cardiovas-cular, mas o seu papel no cérebro é igualmente central. Um dos metabolitos do ómega-3, o ácido docosahexaenóico (DHA), é o principal constituinte das membranas dos neurónios. De salientar que o do ácido alfalinolénico (ALA) e do ácido eicosapentaenóico (EPA), pelo que é importante assegurar uma ingestão adequada de todos estes ácidos gordos.
Fosfatidilserina
Trata-se de um fosfolípido, isto é, outro tipo de gordura encontrada com muita abundância na membrana de revestimento dos neurónios. Este composto é obtido a partir da fosfatidilcolina ou da fosfatidiletanolamina com a serina, através da presença de DHA em quantidades apropriadas. Um estudo concluiu que a suplementação com a fosfatidilserina contribuiu para melhorar a memória e para reduzir os níveis de inflamação no cérebro. Aliado a este efeito, também se verificou uma diminuição dos níveis de stresse oxidativo no cérebro.
Acetil-L-Carnitina
Este composto encontra-se naturalmente em vários tecidos, como o cérebro, sendo considerado um nutriente condicionalmente essencial. Isto significa que, em certas circunstâncias (como por exemplo em idosos ou pessoas com diabetes), os seus níveis são demasiado baixos para as necessidades do organismo. Funciona ao promover a produção de energia nas células cerebrais, assim como a produção de aminoácidos neurotransmissores (envolvidos na comunicação da informação do cérebro), entre outros efeitos, melhorando o seu funcionamento. A suplementação com acetil-L-carnitina demonstrou, em alguns estudos, ter um efeito neuroprotetor, ao reduzir o défice de atenção em pacientes com doença de Alzheimer. Ao mesmo tempo, parece exercer um efeito anti-inflamatório e antioxidante.
Vitamina D
Cada vez mais se reconhece a importância desta vitamina lipossolúvel numa multiplicidade de funções no organismo. Atendendo à elevada prevalência do défice deste nutriente, principalmente nos idosos, torna-se importante assegurar que se encontra presente em níveis adequados. A forma ativa da vitamina D é encontrada abundantemente no cérebro, sendo importante para prevenir a formação das placas amilóides através da estimulação da atividade dos macrófagos (células de defesa imunitária).
Ginkgo Biloba
O extrato desta planta é obtido a par-tir das suas folhas e apresenta um elevado conteúdo em compostos bioativos como os ginkgoflavoglicósidos e compostos triperpénicos. Atua maioritariamente ao promover a melhoria da irrigação sanguínea dos tecidos cerebrais, para além de apresentar também uma ação antioxidante. Quando aplicado em doentes de Alzheimer, este extrato parece contribuir para melhorar os índices cognitivos relacionados com a memória e a capacidade para realizar as tarefas do dia a dia. Além do mais, pode ainda contribuir para menores níveis de stresse relacionados com a doença.
Curiosidade
Esta doença deve o seu nome ao médico alemão Alois Alzheimer que, em 1906, notou mudanças no tecido cerebral de uma mulher que falecera de uma doença mental incomum. Os seus sintomas incluíam perda de memória, problemas de linguagem e comportamento imprevisível. Ao examinar o seu cérebro, encontrou muitos aglomerados anormais (posteriormente identificados como placas amilóides) e feixes de fibras emaranhadas (atualmente referidos por emaranhados neurofibrilares).
Diversos estudos mostram que o consumo de, pelo menos, uma refeição de peixe por semana pode reduzir o risco de doença de Alzheimer em 50%.
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