Os probióticos têm assumido uma popularidade crescente nos últimos anos, uma vez que parecem contribuir de forma benéfica não só na saúde digestiva, como também para uma multiplicidade de funções em diferentes estruturas do organismo. Descubra mais sobre como escolher o melhor probiótico para si.
O que são?
A Organização Mundial da Saúde (OMS) define os probióticos como microrganismos vivos que, quando consumidos em quantidades apropriadas, promovem benefícios na saúde humana. Podem conter uma grande variedade de microrganismos, sendo que os mais comuns são as bactérias dos grupos Lactobacillus e Bifidobacterium. Outras bactérias também podem ser utilizadas como probióticos, assim como leveduras, como a Saccharomyces boulardii.
Benefícios dos probióticos no organismo
Diferentes tipos de microrganismos promovem diferentes benefícios no organismo.
Cérebro
Existe um sistema de comunicação entre o intestino e o cérebro, chamado de sistema nervoso entérico. Cada vez mais se compreende que o estado emocional e cognitivo pode afetar o funcionamento intestinal, interferindo, por exemplo, com a regulação dos movimentos intestinais.
Do mesmo modo, desequilíbrios na flora do intestino ou doenças intestinais podem causar alterações no sistema nervoso (como ansiedade ou depressão). Alguns estudos indicam que a suplementação com Lactobacillus helveticus, Bifidobacterium longum e Lactiplantibacillus plantarum pode ter um efeito positivo na regulação da resposta ao organismo, no stresse, e na produção de serotonina (uma das hormonas do bem estar). Durante a fermentação intestinal pelos probióticos, são produzidos alguns nutrientes importantes, como o triptofano e ácidos gordos saturados, que parecem afetar beneficamente a produção de neurotransmissores como o GABA, serotonina e dopamina. Por este motivo, são cada vez mais os estudos que referem que a utilização de probióticos pode melhorar a memória, os sintomas de depressão e ansiedade.
Neste campo, a suplementação com probióticos pode ainda apresentar um papel promissor em contextos como as insónias, o autismo e alguns tipos de demência (como a doença de Alzheimer). Contudo, mais estudos são ainda necessários nestas áreas.
Imunidade
A parede do intestino constitui por si só uma barreira física que impede a entrada de agentes patogénicos
(nocivos à saúde), juntamente com a barreira mucosa que a reveste. Na parede do intestino, encontra-se ainda tecido linfóide, que constitui uma fonte significativa de linfócitos B e T – que são um tipo de células de defesa imunitária, muito importantes para prevenir infeções bacterianas e de outra origem. Estas células produzem um tipo específico de células imunitárias chamadas de imunoglobulinas A (Ig A), que representam cerca de 70-80% da quantidade total de IgA produzidas pelo corpo. Assim, os probióticos contribuem para reduzir a aderência de bactérias patogénicas ao intestino e a promover a imunidade.
Saúde intestinal
O benefício dos probióticos como promotores da saúde digestiva é há muito tempo reconhecido. As estirpes de bactérias e leveduras probióticas parecem exercer um efeito anti-inflamatório, melhorando a função de barreira intestinal e reduzindo os sintomas de hipersensibilidade deste órgão. Por este motivo, podem ser úteis nos casos de diarreia associada a antibióticos ou infecciosa, de síndrome inflamatória intestinal (colite ulcerosa, doença de Crohn) ou de síndrome do intestino irritável.
Estômago
De forma geral, o estômago tem um ambiente demasiado acídico para permitir o crescimento bacteriano.
Contudo, quando existe uma perturbação na produção ácida, pode ocorrer o crescimento de bactérias indesejáveis, como a Helicobacter pilory. Neste sentido, a suplementação com probióticos pode contribuir para equilibrar a flora comensal do estômago. Porém, devem considerar-se estirpes com resistência ao pH baixo do estômago, como os Lactobacillus e os Bifidobacterium que apresentam ainda a capacidade de se ligar à mucosa gástrica. Desta forma, pensa-se que os probióticos conseguem ajudar a prevenir a infeção por H. pilory, competindo pelos mesmos locais de ligação à mucosa do estômago, reforçando a eficácia desta barreira e ao produzir ácidos com ação bactericida.
Infeções urinárias
As infeções urinárias são mais frequentes nas mulheres em comparação com os homens, principalmente devido a questões anatómicas. Os Lactobacillus são a estirpe mais abundante na flora geniturinária das mulheres, pelo que a suplementação com este probiótico pode trazer benefícios na prevenção de infeções urinárias recorrentes.
Alergias
Em contextos de rinite alérgica, a suplementação com Lactobacillus e com Bifidobacterium demonstrou efeitos benéficos na prevenção de sintomas de desconforto, ao promover a redução da hiper-reatividade e da inflamação causadas pelos alergénios. Pensa-se que um dos mecanismos envolvidos passa pela regulação das imunoglobulinas G e E. Por outro lado, estas estirpes parecem contribuir também para diminuir a libertação de substâncias no organismo com ação inflamatória, chamadas de citocinas. Podem, ao mesmo tempo, ser relevantes para a melhoria de sintomas de desconforto relacionados com dermatite atópica
e de rinorreia (“pingo no nariz”).
Saúde oral
No que diz respeito à saúde oral, os probióticos podem ser benéficos na prevenção de cáries dentárias, no
tratamento de doenças das gengivas e na redução do mau hálito. Neste contexto, pensa-se que os probióticos são capazes de se fixar nos revestimentos dos dentes e de se misturarem na flora microbiana que compõe o biofilme dentário. Assim, o consumo de alimentos probióticos – como iogurte, kefir ou as suas alternativas vegetais fermentadas – em vez de suplementos alimentares pode ter uma ação local mais específica.
Próstata
Alguns estudos demonstram que o L. rhamnosus tem a capacidade de inibir a infeção pela bactéria patogénica E. coli e outras (responsáveis pela prostatite bacteriana), contribuindo para a manutenção da saúde da próstata. Por outro lado, ao manter o correto funcionamento intestinal, previne a entrada na corrente sanguínea, através do intestino, de compostos nocivos ao organismo que podem contribuir para o aumento do risco de cancro da próstata. Estudos recentes falam ainda no papel da microbiota intestinal na produção de androgénios e na correta produção de espermatozoides nos testículos.
Como escolher o probiótico ideal para si
Apesar de todos os benefícios dos probióticos, para que estes possam fixar-se no intestino e desenvolver-se em quantidade adequada, é necessário dar o substrato para que estes se possam multiplicar. Assim, ao escolher um probiótico, procure idealmente por aqueles que também contêm prebióticos na sua composição, que são por definição um tipo de fibras não digeríveis. Alguns exemplos são a lactulose, a inulina, o psílio e outros oligossacáridos presentes nos vegetais. Os produtos com probióticos e prebióticos são chamados de simbióticos. Entre todos, são aqueles que podem ser mais completos na sua ação. Em todo o caso, pode sempre optar por fazer este reforço separadamente, através de suplementação alimentar ou incluindo mais alimentos naturalmente ricos nestas fibras na sua dieta.
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