No nosso intestino, habitam milhões de micro-organismos vivos. A este ecossistema, dá-se o nome de microbiota intestinal. Conheça o que dizem os novos estudos sobre a importância do seu equilíbrio no nosso organismo.
O que é a Microbiota Intestinal
A microbiota intestinal é composta por bactérias e também por vírus, fungos e outros micro-organismos que mantêm uma relação de simbiose com o corpo humano – o hospedeiro. Este ecossistema tem um papel determinante na proteção contra agentes patogénicos, na manutenção da integridade da mucosa intestinal, na produção de nutrientes essenciais e na estimulação do sistema imunitário.
Equilíbrio Único
A microbiota é uma comunidade dinâmica que sofre alterações na sua constituição ao longo da vida, tornando-se característica única de cada indivíduo. O equilíbrio entre bactérias comensais e patogénicas é fundamental, e a presença de um desequilíbrio nas comunidades de bactérias intestinais (situação denominada de disbiose intestinal) pode levar ao aparecimento de doenças crónicas.
O Papel dos Probióticos
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), os probióticos são definidos como “micro-organismos vivos que, quando administrados em quantidades adequadas, conferem um efeito benéfico à saúde do hospedeiro”. Os probióticos atuam mutuamente com as bactérias entéricas, quando administrados em quantidades adequadas, colaborando para o equilíbrio da microbiota intestinal. Geralmente, são utilizadas bactérias (lactobacilos e bifidobactérias).
O Que Dizem os Novos Estudos?
Novos estudos sobre as alterações das comunidades microbianas intestinais apontam que estas possam também ter um conjunto amplo de efeitos em todo o corpo, além da função intestinal, influenciando, por exemplo, o peso corporal e o sistema nervoso central:
Excesso de Peso e Obesidade
A microbiota intestinal parece desempenhar um papel no desenvolvimento e na progressão da obesidade. A maioria dos estudos realizados mostra a presença de disbiose intestinal em pessoas com excesso de peso e obesidade, assim como uma redução da diversidade da microbiota intestinal. O estudo1, publicado em 2021, tornou-se num dos primeiros a verificar uma redução de peso com uma mistura específica e selecionada de lactobacilos e bifidobactérias, reportando que a suplementação com este probiótico em específico parece contribuir para uma redução significativa do peso corporal em indivíduos com excesso de peso e obesidade. Prosseguem os estudos nesta área, para que, no futuro, se entenda melhor a associação entre as bactérias do intestino e o controlo do peso.
Stresse e Ansiedade
O eixo intestino-cérebro é uma rede de comunicação bidirecional, em que o cérebro e o intestino comunicam de forma dinâmica e cujo equilíbrio depende da composição da comunidade microbiana que habita o intestino. Algumas evidências sugerem potenciais efeitos dos probióticos em algumas condições do sistema nervoso central, incluindo ansiedade e depressão. Uma pesquisa, de 2021, sugere que ao promover o crescimento das bactérias comensais, provavelmente conferimos um aumento na resiliência emocional sob stresse. Mas ainda são necessários mais estudos para avaliar esta relação.
Alimente a sua Microbiota
A alimentação é o principal determinante da composição da microbiota intestinal. Evidências mostram que a dieta ocidental, rica em gorduras animais e com baixo teor de fibras, resulta numa maior suscetibilidade a agentes patogénicos e à inflamação. A dieta mediterrânica, pelo contrário, está associada a uma maior diversidade da microbiota e à redução da inflamação intestinal. Por isso, no seu dia alimentar:
- Evite a monotonia alimentar e varie o tipo de alimentos que consome diariamente, para uma maior diversidade da microbiota intestinal.
- Escolha alimentos ricos em fibra. A fibra não é digerível serve de alimento para as bactérias no intestino. Opte por versões integrais e consuma mais vegetais.
- Inclua alimentos fermentados no seu dia, como iogurte, kefir, kombucha, chucrute e miso.
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