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Chocolate

Nutrição

O cacau e, consequentemente, o chocolate são habitualmente considerados por todos nós símbolos de gulodice. De facto, devido às características nutritivas que possui, o cacau tem vindo a ser cada vez mais apelidado de super alimento, sendo igualmente alvo dos mais recentes estudos científicos. Assim, proponho hoje, dar a conhecer um pouco o outro lado do cacau e do chocolate que julgo muitas pessoas desconhecerem.

O cacaueiro era já cultivado pelos Maias. Os Azetecas adoravam o rei do chocolate, Quetzalcoatl, guardião desta árvore sagrada do Paraíso. Aliás, estes povos utilizavam os grãos de cacau para preparar uma bebida refrescante e revigorante à qual juntavam especiarias, como a canela, a noz moscada, o cravinho ou açúcar. Após a chegada de Cristóvão Colombo à América Central pôde o cacau - Theobroma cacao, (que significa alimento dos deuses) - ser trazido e introduzido na Europa, tornando-se imediatamente uma bebida de moda e extremamente cara. Na verdade, os grãos de cacau chegaram mesmo a servir como moeda de troca em alguns países. Contudo, o chocolate tal como o conhecemos hoje, principalmente sob a forma de tabletes, só surgiu no decorrer do século XIX.

À semelhança do café, os grãos do cacau são sujeitos a um processo de torrefacção do qual resultam lotes que, quando são combinados, originam diferentes sabores. Através do processo industrial a que esses grãos são sujeitos, obtém-se a pasta de cacau, da qual se pode extrair a manteiga de cacau e o pó de cacau. Ao adicionar leite e açúcar obtêm-se, então, as comuns tabletes de chocolate. O chamado chocolate branco é na verdade, a junção apenas de manteiga de cacau com estes últimos ingredientes, pois não possui a verdadeira pasta de cacau, razão pela qual não é considerado por muitos como verdadeiro chocolate. As variedades de chocolate que hoje se conhecem são imensas. Para além do seu uso na confeitaria e culinária, existem inúmeras qualidades de chocolates: com frutos secos, com licores, bombons, com as mais diversas formas, etc.

Curiosamente, o chocolate (nomeadamente o chocolate preto que possui um teor mais elevado de cacau) não é apenas uma guloseima. Na verdade, é um alimento com características nutritivas interessantes. Por exemplo, uma tablete de chocolate preto (70% de cacau) contém por 100g: 9g de proteínas, 36g glúcidos ( 30g dos quais são açúcares), 40g de lípidos (manteiga de cacau) e 14g de fibras, o que representa um aporte significativo de proteínas vegetais e fibras. Também possui sais minerais, oligo-elementos e vitaminas. O chocolate preto é ainda rico em potássio (600 mg), em magnésio (200 mg) e em fósforo (280 mg). O chocolate de leite é, por outro lado, rico em cálcio (200 mg /100g), mas mais pobre em cacau. Devido ao seu alto teor calórico (520 kcal /100g), este alimento não é aconselhado em regimes de emagrecimento e para quem deseje manter a linha, pelo que deve ser ingerido com moderação.

Nos séculos XVII e XVIII o chocolate era considerado para além de alimento, também um remédio e muito se escreveu sobre as suas virtudes medicinais. No século XIX eram vendidos chocolates de gosto desagradável devido às plantas que lhe eram adicionadas com fins terapêuticos. Já no início século XX, o chocolate era considerado como um alimento reconstituinte que deveria ser tomado em jejum e, se fosse ingerido após a refeição, o seu efeito era digestivo.

Hoje em dia, o chocolate é acusado de causar enxaquecas, acne e alergias. Se no caso do acne pode ocorrer um certo agravamento com a ingestão de chocolate, nos outros já esta relação parece não ser tão evidente. No que respeita as alergias, a verdade é que normalmente são provocadas pelas proteínas que lhe são adicionadas, como o leite ou a soja e, não pelo cacau propriamente dito. Na realidade, recentes pesquisas científicas atestam que o chocolate preto, rico em cacau, contribui para a diminuição da taxa do colesterol colesterol bom (HDL). Esta qualidade do cacau deve-se à presença de polifenóis (antioxidantes) que protegem os vasos, constituindo assim um alimento que parece ser benéfico sob este ponto de vista, ao contrário do que se julgava.

As substâncias químicas presentes neste alimento podem ajudar a combater casos de stress (devido ao teor de magnésio), de ansiedade e de sintoma pré-menstrual (devido ao seu teor de açúcar), de fadiga (devido a moléculas tónicas como a cafeína e teobromina) e também de depressão (devido à feniletilamina).

Uma característica desde há muito atribuída ao chocolate é a de ser afrodisíaco, facto esse puramente especulativo.

Actualmente, existe uma grande variedade de chocolates, alguns deles mais adaptados às pessoas que sofrem de intolerâncias e alergias alimentares. Assim, existem chocolates sem lactose, sem proteínas do leite e até mesmo sem glúten. Por outro lado, há chocolates adoçados com substitutos da sacarose (salientam-se os que possuem frutose, devido ao seu maior poder adoçante 20% superior à sacarose) que, pelo facto de serem objecto de uma assimilação mais lenta, são melhor tolerados pelos que sofrem de diabetes, ainda que devam ser consumidos com muita moderação, fraccionadamente e sempre sujeitos a um controle dos valores da glicémia. Existem ainda chocolates adoçados com sorbitol ou maltitol, com vista a proporcionar alguma redução calórica a quem os consome. Menos conhecidos são também os chamados chocolates elaborados à base de alfarroba, que possuem um aspecto semelhante ao do verdadeiro chocolate e um sabor relativamente parecido.

Resumindo, se é um apreciador de chocolate, pode, de certo modo aliviar a consciência e passar a ingeri-lo sem o habitual sentimento de culpa com que, talvez, o fazia.
Contudo, lembre-se que, devido ao seu elevado valor calórico, a moderação deverá ser redobrada.

Pedro Lôbo do Vale
Médico