O seu nome nasceu de estudos efectuados nos anos 50 sobre o modo de vida de várias populações mediterrânicas, com características semelhantes do ponto de vista dos hábitos alimentares, que se relacionaram, por sua vez, com uma maior longevidade dessas populações quando comparada com a das suas congéneres nórdicas.
Em primeiro lugar é uma dieta em que predominam os vegetais, frutos e cereais, contendo, todos eles, uma grande quantidade de vitaminas, minerais e fibras. Os cereais que constituem a principal fonte de energia, fornecem hidratos de carbono de absorção lenta (controlam melhor a sensação de fome) e a sua acção é tanto melhor quanto menos refinados são.
A dieta complementa-se com produtos marinhos, principalmente peixe gordo que, para além de conter proteínas de boa qualidade, contribui, pelo tipo de gorduras que possui, para a prevenção de muitas doenças, entre elas as cardio-vasculares e reumáticas. São ainda fonte de vitaminas, fósforo, ferro e iodo. Tradicionalmente, o consumo de carne na dieta mediterrânica é restrito, limitando-se, na maior parte dos casos, a aves criadas com cereais e vegetais.
A gordura utilizada é quase exclusivamente o azeite. Este é rico em ácido oleico, um ácido gordo mono-insaturado, que tem um papel importante na prevenção das doenças cardio-vasculares, visto que diminui os níveis de LDL (transportadores do colesterol que danifica a parede dos vasos sanguíneos) e aumenta as HDL, o bom colesterol, contrariamente ao que sucede com as gorduras da carne (gordura saturada). O azeite é utilizado tanto cozinhado como cru no tempero de saladas. É rico em agentes antioxidantes, especialmente em vitamina E, ajudando as diferentes estruturas celulares do nosso organismo a não se degradarem prematuramente pela acção dos radicais livres. Recentemente, constatou-se ainda ser benéfico o consumo moderado de vinho tinto (de boa qualidade), pelo facto de conter substâncias de poder antioxidante igual ou mesmo superior ao reconhecido à vitamina E. Estas substâncias, do grupo dos flavonóides, existem em diversos frutos e legumes, sobretudo vermelhos; daí a sua ausência no vinho branco. Igualmente importantes deste ponto de vista são também outros alimentos muito comuns na dieta mediterrânica, como por exemplo a salsa, a cebola, a couve roxa, tomate, morangos, groselhas, framboesas, laranjas, uvas de pele escura, etc.
E, se estas são, de um modo geral, as características fundamentais da dieta mediterrânica que tanto a têm posto em evidência no que toca à prevenção de doenças degenerativas, é importante não cometer erros que possam limitar a sua acção. Reduzir o consumo de açúcar, directo e indirecto (produtos de pastelaria), evitar produtos demasiado refinados (farinhas branqueadas) e diminuir a ingestão de sal, de gorduras (principalmente das saturadas) e de bebidas alcoólicas, são medidas que devem acompanhar esta ou qualquer outra dieta racional.
Pedro Lôbo do Vale
Médico
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