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Dor Crónica

Bem-Estar

A dor crónica pode ser definida como a presença de sintomas de dor de forma contínua por vários meses (entre três e seis). Apesar de a dor aguda poder ser entendida como um mecanismo de defesa do organismo contra possíveis lesões, no caso da dor crónica, os sinais de dor são enviados de forma contínua para o sistema nervoso. Embora os sintomas possam surgir sem uma causa associada, esta dor surge habitualmente na sequência de entorses, infeção grave, artrite ou de alguns tipos de cancro.

A dor crónica também pode surgir associada de forma secundária a outras doenças como a síndrome de fadiga crónica, endometriose, fibromialgia, doença inflamatória intestinal, cistite intersticial, ou ainda à disfunção da articulação temporomandibular.

O Apoio da Alimentação

A dieta desempenha um papel importante em diferentes aspetos da nossa saúde e bem-estar e são cada vez mais os estudos que falam na influência de certos alimentos na inflamação. Para além das escolhas alimentares, certas características, como o perfil calórico da dieta podem ainda exercer uma ação mais anti-inflamatória sobre o organismo.

Plantas e Nutrientes

Ómega-3

A utilização de ácidos gordos ómega-3 em contextos de problemas osteoarticulares remonta ao século XVIII, através do consumo de óleo de fígado de bacalhau. Estes tipos de ácidos gordos são um excelente anti-inflamatório natural, dado que o EPA e DHA promovem a formação de prostaglandinas E3 (um tipo de químicos naturais do organismo que se comportam como hormonas). Ao mesmo tempo, estes ácidos gordos inibem competitivamente a ação e formação de outros compostos químicos com ação inflamatória como as prostaglandinas E2, TNF-a (fator de necrose tumoral) e IL-1b (interleucina) e leucotrienos.

Curcuma

Trata-se de um pigmento de cor amarela obtida a partir da raiz de curcuma longa ou açafrão-da-índia, muito utilizada na medicina chinesa e ayurvédica. Os curcuminoides presentes nesta planta têm demonstrado um papel antioxidante e anti-inflamatório em condições digestivas, neurodegenerativas e articulares. Pensa-se que os compostos bioativos da curcumina atuam na produção de certos químicos inflamatórios no organismo como o NF-kB (fator nuclear).

Boswellia Serrata

A resina desta planta, também conhecida por Incenso Indiano, tem sido utilizada pelas suas propriedades anti-inflamatórias, anti-artríticas e analgésicas. Na medicina popular, esta planta é muito utilizada em contextos de doenças articulares degenerativas e inflamatórias (ex. osteoartrose, artrite), pois reduz a infiltração de células imunitárias na articulação, responsáveis pela dor. Um estudo revelou ainda que a sua toma conjugada com curcumina demonstrou uma eficácia superior na diminuição dos sintomas de desconforto da osteoartrite, em comparação com medicamentos anti-inflamatórios não esteroides (AINE).

Harpago

Planta perene com origem na África do Sul tem sido aplicada em contextos de osteoartrite, artrite reumatoide, tendinite, entre outros tipos de dor como a de cabeça, lombar e menstrual. Os seus compostos bioativos são os glucósidos iridoides, como o harpagósido, e os flavonoides. Do ponto de vista de controlo da resposta inflamatória, as investigações apontam para a sua ação inibidora sobre a enzima COX-2, assim como o TNF-a e a IL-1b, em contextos de doenças articulares. O seu efeito antioxidante parece ainda ser importante em contextos de doenças digestivas como a colite ulcerosa.