Uma das plantas mais divulgada e estudada nos últimos tempos é a erva-de-São João, mais especificamente, Hypericum perforatum ou Hipericão comum (também conhecida como milfurada). Esta planta não deve, no entanto, ser confundida com o hipericão do Gerês que é uma espécie aparentada, nem com o Hypericum androsemum ou com espécies semelhantes existentes no nosso país.
Devido ao consumo generalizado de antidepressivos sintéticos, cada vez mais, se têm procurado alternativas mais naturais. Foi devido ao uso tradicional do hipericão, sobretudo no caso de problemas nervosos e emocionais, que a ciência começou a interessar-se pelo seu estudo, acabando por confirmar que a sua utilização empírica tinha fundamento.
De facto, a maior parte dos ensaios levados a cabo, teve por objectivo analisar quer as propriedades anti-depressivas do hipericão, quer a sua fraca incidência de efeitos secundários, comparando os resultados obtidos com os dos anti-depressivos sintéticos e dos placebos. Foi, assim, possível concluir que esta planta tem propriedades benéficas no combate à depressão ligeira e moderada e está praticamente isenta de efeitos colaterais.
Aliás, por este motivo ela foi objecto de artigos nas revistas americanas Time e Newsweek e, na Alemanha, onde vem sendo utilizada desde há muitos anos, constitui um meio terapêutico a que recorre frequentemente a classe médica sempre que a patologia o permite. Na realidade, a erva de S.João, pode revelar-se uma boa ajuda para quem sofra de depressão pouco acentuada. Contudo, embora os efeitos adversos sejam diminutos, a sua utilização não deve ser associada a quaisquer anti-depressivos sintéticos e, quem a tome deverá resguardar-se de prolongada exposição solar.
Para além das propriedades já referidas e, que têm sido as mais estudadas, o hipericão apresenta diversas outras propriedades biológicas. É anti-espasmódico e sedativo, podendo igualmente ser empregue em certas perturbações do aparelho gastro-intestinal (inflamações e úlceras) e diversas afecções da pele (uso externo).
Utilizado há mais de 2000 anos, o hipericão pode ser tomado por via interna, ou misturado num óleo e aplicado externamente. Os compostos químicos com actividade biológica mais importante são o óleo essencial, os flavonóides e a hipericina, que dá a cor vermelha ao óleo extraído da planta.
No mercado o hipericão aparece sob diversas formas referenciado frequentemente com a denominação inglesa de St.Johns Wort. Existe a planta seca para infusões, a usar interna ou externamente, cápsulas, comprimidos, gotas e óleo. Para ter a certeza de que o produto que adquirir contém as substâncias que lhe conferem as propriedades medicinais, confirme se possui um conteúdo mínimo de 0,3% de hipericina.
Se tem algum dos problemas já aqui referenciados, pode experimentar esta alternativa. De qualquer modo, isso não substitui a visita ao seu médico assistente para um diagnóstico correcto da situação. E, na minha opinião, embora esta planta possa ser adequada às alterações do sistema nervoso, se está a tomar anti-depressivos, não os substitua sem uma avaliação clínica prévia.
Pedro Lôbo do Vale
Médico
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