O sistema imunitário tem como principal função defender o nosso corpo de possíveis agentes nocivos, que podem ter várias origens: microrganismos (como bactérias, vírus ou fungos), parasitas, pólenes, entre outros. Os antigénios presentes nestes agentes patogénicos permitem a sua identificação pelo sistema imunitário, que é responsável por estimular uma resposta imunitária com o objetivo de os destruir.
A Resposta Imunitária
A resposta imunitária compreende várias fases, para as quais são necessárias células especializadas,
como os glóbulos brancos, e anticorpos – que são proteínas específicas que se ligam ao antigénio de um invasor, marcando-o para ser atacado, resultando, à partida, na sua neutralização. O organismo é composto por barreiras físicas e bioquímicas que atuam como linha de defesa perante ameaças que possam ser nocivas.
Quando falamos em barreiras físicas, referimo-nos à pele, aos pelos e mucosas. Se estas permanecerem
intactas, a maioria dos invasores acaba por não conseguir invadir o organismo. No entanto, estas barreiras
podem ficar comprometidas, por exemplo em caso de queimaduras ou pequenos cortes na pele, aumentando
assim o risco de infeção. À semelhança do que acontece em todos os processos do nosso organismo, todas as etapas que compreendem a resposta imunitária são dependentes da presença de nutrientes, que podem ir desde os hidratos de carbono e proteínas, às vitaminas e minerais, fundamentais para o seu bom funcionamento.
Nutrientes Aliados do Sistema Imunitário
Para um bom funcionamento do sistema imunitário, é importante ter uma alimentação saudável e diversificada, de modo a oferecer ao organismo as vitaminas e minerais de que necessita. De entre eles, destacam-se:
Vitamina C
É comum associarmos a importância da vitamina C ao normal funcionamento do sistema imunitário. Tal conhecimento deve-se ao facto de, em 1753, James Lind ter elaborado aquele que é considerado até hoje como o primeiro ensaio clínico controlado da época moderna, no qual verificou a correlação entre o consumo de vitamina C e o desenvolvimento de escorbuto. Desde então, têm sido realizados cada vez mais estudos ao longo dos anos, que tornam evidente que, não apenas a vitamina C, mas também outras vitaminas e minerais apresentam um papel essencial na manutenção do sistema imunitário.
Vitamina D
De uma maneira geral, é habitual associarmos a vitamina D à manutenção dos ossos, pela função que desempenha ao nível da absorção do cálcio. No entanto, esta é uma vitamina que interfere positivamente
na estimulação das respostas imunitárias, acabando por contribuir para a eliminação de bactérias ou vírus. Apesar de presente naturalmente em alguns alimentos, como os peixes gordos e respetivos óleos, o nosso organismo tem a capacidade de produzir algumas quantidades, utilizando a luz solar que incide na nossa pele. Ainda assim, e apesar de Portugal ser um país onde a exposição solar é abundante, encontra-se entre os países
da Europa que apresenta mais deficiência de vitamina D.
Vitamina E e Selénio
A vitamina E, em conjunto com o selénio, são micronutrientes importantes na defesa antioxidante, existindo estudos que demonstram que os seus níveis inadequados alteram as respostas imunitárias e a patogenicidade
viral. Assim, em conjunto, estes micronutrientes contribuem para o normal funcionamento das células que fazem parte do sistema imunitário, aumentando a resistência a infeções, principalmente respiratórias. No que diz respeito a fontes alimentares, podemos encontrar a vitamina E e o selénio na composição de alimentos como o azeite e a castanha-do-brasil, respetivamente.
Zinco
Outro mineral igualmente crucial para a manutenção do sistema imunitário é o zinco. Além de envolvido nos processos de cicatrização e normal crescimento e desenvolvimento, o zinco intervém também no desenvolvimento e funções das células imunitárias. Sendo que se trata de um mineral que o nosso corpo não tem capacidade de armazenar como reserva, torna-se necessário o seu consumo diário, através da inclusão de alimentos como ostras, carne, feijão ou nozes.
A Importância dos Suplementos Alimentares
Apesar de encontrarmos estas vitaminas e minerais nos alimentos, a verdade é que nem sempre ingerimos as quantidades necessárias para estes intervirem eficazmente nas funções que lhes são inerentes. Além da ingestão nem sempre ser a suficiente, também podemos deparar-nos com situações ou fases da vida em que as necessidades estejam aumentadas. Nestes casos, e conconsoante aconselhamento médico, pode ser benéfica a suplementação com estes micronutrientes, para reduzir o risco de a função imunitária ficar comprometida.
Influência do estilo de vida
Importante também para o bom desempenho do sistema imunitário é o nosso estilo de vida. A prática de exercício físico parece ter influência no funcionamento do sistema imunitário. No entanto, são ainda necessários mais estudos, pois esta influência parece depender do tipo de exercício físico, duração e quantidade. Também outros fatores, como o ritmo circadiano e os hábitos de sono, são cada vez mais vistos
como importantes para a homeostase do sistema imunitário, uma vez que perturbações nestes processos podem estar associadas a um estado de maior vulnerabilidade a doenças.
Validate your login