Em média, por dia excretamos cerca de 700 ml de gases (podem ser absorvidos pela circulação, perdidos através da respiração, expelidos em forma de eructo, através da boca ou em forma de flato, através do ânus). Contudo, muitas vezes, o volume de gás excretado ultrapassa este valor, causando desconforto e constrangimento.
Por mais que se tente encobrir este estado, é impossível ignorá-lo, sobretudo quando sentimos cólicas e o abdómen dilatado.
Alguns produtos que podem ajudar:
Carvão Vegetal (Suplemento Alimentar).
Composição dos Gases
Os gases intestinais são constituídos por azoto, oxigénio, dióxido de carbono, hidrogénio e, em alguns casos, metano.
Estes gases, à partida, são destituídos de cheiro. Porém, quando a estes gases se junta o elemento enxofre, que está presente em vários alimentos como, por exemplo, cebolas, alhos e brócolos, ou na cerveja, surgem os gases fétidos. O enxofre é um constituinte natural de alguns aminoácidos (cisteína, metionina e taurina), pelo que a ingestão de alimentos proteicos (como a carne, o peixe, os ovos, o leite e o queijo) também está associada à ocorrência de gases com um odor muito forte.
Porque algumas pessoas tendem a sofrer de flatulência?
Os gases gastrointestinais podem acumular-se em grandes quantidades quando, por exemplo, se ingerem quantidades de ar elevadas (aerofagia). Esta situação é muito comum em casos de indivíduos ansiosos, ou sempre que comemos muito depressa, bem como quando não fechamos devidamente a boca enquanto mastigamos.
No estômago, a produção de gases dá-se devido às reações químicas que ocorrem durante a digestão dos alimentos, embora em menor grau. Apenas uma pequena porção destes gases faz o percurso até ao intestino.
Além da aerofagia e da ansiedade, existem outros fatores que podem estar por trás de uma formação excessiva de gases:
- Inatividade física.
- Diminuição dos movimentos gastrointestinais.
- Distúrbios gastrointestinais (exemplos: deficiência de lactase, diarreia tropical- sprue, insuficiência pancreática, obstipação).
- Hábitos alimentares.
A maior formação de gases no organismo ocorre no intestino, através da fermentação bacteriana de alimentos que contêm fibras, especialmente do tipo solúvel como aveia, frutas, leguminosas e produtos hortícolas. Embora incómoda, a formação intestinal de gases de fermentação não é prejudicial.
As bactérias intestinais também fermentam o “amido-resistente”, presente em bananas verdes, batatas cruas e mal cozidas, sementes e grãos, provocando flatulência. Este “amido-resistente” é um amido que não chegou a ser absorvido pelo organismo e que irá continuar o seu percurso pelo intestino, aumentando o volume das fezes.
Alimentação Explosiva
Uma alimentação que inclua produtos lácteos, ou que contenham lactose, é também suscetível de aumentar a formação de gases, sobretudo em pessoas com deficiência em lactase (enzima que desdobra este açúcar).
O mesmo acontece quando se consomem quantidades elevadas de frutose, sacarose e sorbitol, que acabam por não ser digeridos no estômago. Por norma, tal resulta num aumento da quantidade de hidratos de carbono fermentescíveis no intestino, originando um aumento de produção de gases e a consequente flatulência.
Muitas vezes, os alimentos que causam flatulência diferem de pessoa para pessoa. Contudo, na generalidade dos casos, as queixa s costumam advir da ingestão de pão saloio, couves (de Bruxelas, galega, portuguesa, lombarda) e leguminosas (ervilhas, favas, grão-de-bico, feijões, lentilhas). Para saber quais são os alimentos na génese do problema, pode ser necessário eliminar um alimento ou um grupo de alimentos de cada vez. Pode começar por eliminar o leite e os produtos lácteos, depois as frutas e certos vegetais e, posteriormente, outros alimentos, até descobrir aqueles que, lhe provocam flatulência. Após a obtenção desta “lista” saberá quais os alimentos cujo consumo deve reduzir para deixar de sentir uma produção excessiva de gases.
Efetivamente, um grande número de alimentos suscetíveis de causarem flatulência como, por exemplo, as leguminosas, têm propriedades nutricionais muito vantajosas, não devendo eliminá-las total mente da dieta. Uma dica que poderá ajudar a digerir melhor os feijões, grão-de-bico e lentilhas, é deixá-los de molho durante a noite e trocar a água, antes de cozinhá-los.
A ingestão dos outros alimentos que contêm fibras, como frutas e produtos hortícolas, também não deve ser interrompida uma vez que nos fornecem outros nutrientes indispensáveis (vitaminas e minerais, por exemplo). Além disto, uma dieta pobre em fibras provoca obstipação, que também pode agravar a flatulência, pois retarda a passagem da comida pelo aparelho digestivo, provocando maior fermentação dos alimentos e, consequentemente, maior produção de gás. Assim, as fibras devem ser introduzidas na dieta de forma gradual, bebendo-se sempre bastante água facilitando, deste modo, o trânsito intestinal.
Gases: Sinal de Alarme?
Na grande maior ia dos casos, o excesso de gases não indica nenhuma doença, independentemente do odor que têm. No entanto, deverá ter atenção se estiverem presente s outros sintomas como, por exemplo: perda de peso, anorexia, anemia, sangra mentos e diarreia crónica. Caso os sintomas persistam, é fundamental consultar o seu médico, para obtenção de um diagnóstico preciso.
Caso não verifique ocorrência de nenhum outro sintoma, além dos temidos flatos, poderá recorrer à ajuda do carvão vegetal. Este composto resulta da queima incompleta de plantas verdes e lenhosas, preparado em condições técnicas controladas, extremamente poroso, que tem a capacidade de absorver g ases e líquidos. Pelo seu elevado poder de absorção, é indicado em caso de desconforto abdominal provocado por flatulência. Se tomar algum medicamento, deve respeitar um intervalo de 2 horas entre a sua toma e a toma de carvão ativado.
Como evitar a aerofagia?
- Comer lentamente.
- Mastigar com a boca fechada.
- Abster-se de falar, enquanto não engolir toda a comida que tiver na boca.
- Não utilizar palhinhas para beber líquidos.
- Evitar o consumo de pastilhas elásticas e de tabaco.
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