A gotu kola é uma planta oriunda da Índia, nome pelo qual é vulgarmente conhecida. A Centella asiatica, em português chamada de Centelha asiática (ou hortelã-brava-indiana) é usada tradicionalmente na medicina ayurvédica e, ao longo dos tempos, tem sido associada à longevidade e à promoção de uma vida mais saudável - diz-se que um mestre de Tai Chi Chuan, Li Ching-Yuen, viveu até aos 256 anos e que tal deveu-se ao seu consumo de ervas tradicionais chinesas, entre as quais a gotu kola. Esta planta trepadeira cresce espontaneamente nas regiões quentes e pantanosas da Índia, Madagáscar, China, Austrália, África Central e EUA, sendo a folha a parte utilizada com fins terapêuticos. Saliento ainda que esta é uma das plantas mais estudadas em todo o mundo.
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- Gotu Kola da Solgar
São conhecidos como componentes principais da centelha asiática os triperpenos (especialmente o asiaticócido), mas também possui alguns flavonóides, aminoácidos, vitaminas e minerais. Os triterpenos actuam primordialmente na formação de colagénio nos ossos, cartilagens e tecido conjuntivo. Outras propriedades que também lhe são conhecidas são a promoção da saúde dos vasos sanguíneos e a estimulação da memória, no entanto, nos últimos tempos, a importância desta planta tem sido notória sobretudo a nível do tecido conjuntivo e várias afecções da pele, estando os seus benefícios cientificamente comprovados em casos de úlcera da perna e a temível celulite.
Mais pormenorizadamente, devido ao efeito benéfico sobre o tecido conjuntivo, isto é, ao estimular a formação de tecido saudável e ao evitar o crescimento de zonas duras, a centelha asiática é utilizada nas mais diversas afecções da pele. Refiro-me, por exemplo, a queimaduras, a cicatrizes e úlceras da perna. No que respeita às queimaduras, existem referências de queimaduras de 2º e 3º grau que melhoraram significativamente após a utilização desta planta, estando relacionada com uma rápida cicatrização e existindo até um mediamento (pomada) à base da mesma, adjuvante da cicatrização em afecções cutâneas. Há também relatos de recuperações mais rápidas de cicatrizes decorrentes de cirurgias.
Mais recentemente, a sua eficácia tem sido comprovada em várias patologias, entre as quais a celulite. Os seus componentes com maior importância são os triterpenos (actuam na formação de colagénio) - especialmente o asiaticócido, alguns flavonóides, aminoácidos, vitaminas e minerais. Segundo muitos investigadores, esta planta melhora a estrutura do tecido conjuntivo, impedindo a formação de celulite. Ao mesmo tempo, ajuda a fortalecer as células das paredes dos vasos, promovendo a circulação dos membro inferiores. Por esta razão, a centelha asiática é usada para ajudar a combater, por exemplo, situações de má circulação e varizes. Devido a esta característica é também extremamente útil em doentes acamados.
A centelha asiática, tem sido tradicionalmente usada para ajudar a aumentar a acuidade mental em geral. Diversas pesquisas demonstraram as propriedades desta planta na estimulação da memória e no aumento da capacidade de aprendizagem. Foram realizados estudos em casos de perda memória associados à doença de Alzheimer e em crianças com dificuldades de aprendizagem e os resultados registados foram positivos.
A nível culinário, a centelha asiática é utilizada como alimento em muitos países, nomeadamente como ingrediente de sopa e saladas. Países como a Indonésia, Vietname, Tailândia e Malásia utilizam as suas folhas em vários cozinhados.
Por último, esta planta possui ainda capacidades sedativas suaves, podendo considerar-se uma opção em casos suaves de ansiedade e de insónia.
Apesar da semelhança dos nomes, não há qualquer relação entre a, gotu kola (nome indiano da centelha asiática), e a noz de cola (planta usada na preparação de bebidas à base de cola). A noz de cola é um estimulante, pois contém cafeína, enquanto que a centelha asiática, ou gotu kola é ligeiramente sedativa e não possui cafeína.
A centelha asiática, que pode ser usada quer interna quer externamente, encontra-se disponível em chás, tintura e preparados tópicos. Porém, na maioria dos casos, esta planta é tomada sobre a forma de cápsulas ou comprimidos (de preferência, de extracto normalizado com 40% de asiaticócido).
No que respeita à dose, esta está dependente do objectivo a que se destina. Por exemplo, para tratar queimaduras ou úlceras da perna pode usar cerca de 200 mg de extracto normalizado duas vezes por dia. Tradicionalmente, recorria-se à aplicação externa de uma compressa embebida em chá, mas hoje em dia, é mais comum a utilização de cremes ou pós. Em Portugal, esta planta é utilizada sobretudo sob a forma de cápsulas ou comprimidos mas também é possível a aquisição de produtos cosméticos como cremes, loções ou géis de centelha asiática. A sua dosagem está dependente do objectivo a que se destina, podendo ser tomadas até 300 mg do seu extracto normalizado. Para ajudar a melhorar a circulação das veias, estimular a memória ou situações de celulite pode tomar cerca de 200 mg de extracto normalizado, três vezes ao dia.
Pelo exposto, a centelha asiática poderá ser mais uma opção interessante a considerar, no âmbito da fitoterapia, caso pretenda manter uma vida mais saudável e também é benéfica no combate à celulite e sem efeitos adversos associados. Porém, mais uma vez relembro, de que deverá aconselhar-se junto do seu médico, se surgirem quaisquer dúvidas.
Pedro Lobo do Vale
Médico
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