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Harpago

Nutrição

O Harpagophytum procumbens é uma planta originária dos desertos da África do Sul e da Namíbia, onde tem vindo a ser utilizada pelas tribos locais há mais de 250 anos. É caracterizado pelo seu fruto lenhoso, que cresce junto do solo, com a forma de garras, dando origem a outra das suas denominações comuns: garra ou unha do diabo (do inglês devil s claw). Contudo, as partes utilizadas medicinalmente são as raízes secundárias tuberosas, de sabor fortemente amargo que, depois de cortadas às rodelas e secas ao sol, eram utilizadas por tribos como os Bosquímanos e os Hotentotes que, através de decocção (cozedura), as aplicavam para melhorar dores reumáticas, problemas digestivos e febres.

No início do século XIX, a Namíbia estava sob o domínio dos alemães que introduziram a raiz do harpago na Europa e estudaram as suas propriedades. Desde então, os benefícios desta planta têm vindo a ser utilizados pela fitoterapia, principalmente, na melhoria dos sintomas das afecções reumáticas.

Dos inúmeros estudos realizados, descobriu-se que a raiz do harpago possui mais de 40 componentes activos e que as suas acções anti-inflamatória e analgésica são as suas características mais importantes, a par de uma excelente tolerância por parte do organismo humano, isto é, não provocando efeitos secundários significativos, mesmo em doses mais elevadas (por precaução deve ser evitado durante a gravidez). Pode ainda ter uma acção benéfica em casos de níveis elevados de ácido úrico no sangue, contribuindo para a sua redução.

Assim, devido às propriedades atrás citadas, os resultados positivos da sua utilização podem verificar-se, sobretudo, ao nível das dores e rigidez provocadas por artroses das ancas, dos joelhos, da coluna vertebral, etc., isto é, em situações em que não se verificou ainda um estádio demasiado avançado das alterações. Em cerca de dois ou três meses de tratamento, a mobilidade e flexibilidade articular podem melhorar e as dores serem aliviadas. Para além disso e, pelo facto das alterações ósseas descritas serem crónicas, a utilização desta raiz poderá ser útil, já que não provoca efeitos irritantes sobre o aparelho digestivo, ao contrário do que acontece com a maior parte dos anti-inflamatórios de síntese. O harpago tanto pode ser utilizado por via oral, como externamente. Porém, a combinação simultânea de ambas as formas é susceptível de produzir maior efeito.

Devido ao sabor amargo característico do harpago, poderá encontrá-lo disponível no mercado, sob a forma de pó ou extracto de raiz em cápsulas (tomar 3 a 6 por dia). Existem também tónicos elaborados com vinho doce, que conservam os princípios activos da raiz de harpago. São fáceis de ingerir e podem diluir-se em água ou sumo de fruta, devendo, contudo, ser evitados por pessoas que não possam ingerir álcool. Tanto as cápsulas como os outros preparados de harpago deverão ser tomados antes das refeições. Em caso de uso externo, poderá optar pelo creme ou gel à base de harpago.

No entanto, há situações em que devido à gravidade e degeneração articular, o recurso à cirurgia, a anti-inflamatórios potentes ou outros fármacos pode ser a única solução para o alívio da sintomatologia. É o caso, por exemplo, da artrite reumatóide e da artrose destrutiva de certas articulações (ex.: ancas).

Não deixe, em caso de dúvida, de se aconselhar junto do seu médico.

Pedro Lôbo do Vale
Médico