As reações alimentares adversas são um problema comum nas crianças, sendo relatadas em cerca de 6 a 28% delas. Estas reações podem ser diferenciadas, de uma forma geral, entre alergias e intolerâncias alimentares. Sabe o que as distingue?
Alergia ou Intolerância
As alergias alimentares são reações imunológicas (mediadas pelo sistema imunitário) a certos alimentos, que podem afetar vários órgãos. Já as intolerâncias são reações aos alimentos ingeridos que não envolvem o sistema imunitário. Estas podem estar relacionadas com a digestão ou transformação dos alimentos, ou, por exemplo, surgir como reação a determinados compostos que se encontram ou que foram adicionados aos alimentos.
Como são identificadas as intolerâncias alimentares?
Caso a criança apresente sintomas, será importante consultar o médico que a acompanha, para se excluírem outras possíveis causas. Contudo, as dietas de eliminação são a forma mais comum de identificar intolerâncias, removendo-se os alimentos que poderão causar intolerância durante um período de tempo e voltando a introduzi-los faseadamente. Manter um diário alimentar poderá ajudar a identificar os alimentos problemáticos.
Quais os Sintomas?
Ao contrário das alergias alimentares, os sintomas associados às intolerâncias surgem frequentemente com algum atraso, podendo passar-se horas ou dias até à manifestação dos sintomas. Estes podem incluir:
- Queixas digestivas, como distensão e/ou dor abdominal, flatulência, diarreia;
- Dores de cabeça e enxaquecas;
- Aftas ou úlceras na boca;
- Fadiga e alterações comportamentais.
Quais as intolerâncias mais comuns nas crianças?
Lactose: Intolerância causada pelo défice da enzima lactase.
Presença: leite e laticinios.
Glúten: Pode manifestar-se uma sensibilidade ao glúten não celíaca.
Presença: Principalmente no trigo, centeio e cevada.
Frutose: Intolerância causada por défices enzimáticos.
Presença: Açúcar da fruta, que pode encontrar-se, de forma concentrada, em adoçantes (como o xarope de milho).
Cafeína: Açúcar da fruta, que pode encontrar-se, de forma concentrada, em adoçantes (como o xarope de milho).
Presença: Chocolates e alguns refrigerantes.
Aditivos alimentares: Os sulfitos, benzoatos e glutamato monossódico são alguns dos aditivos com maior suscetibilidade de causar uma reação.
Presença: Sulfitos — hambúrgueres de carne, salsichas, frutos secos ou sumos de uva; benzoatos — bagas, produtos lácteos, compotas, gelados ou alimentos pré-preparados; glutamato monossódico — pode estar presente de forma natural nalguns alimentos, mas também como adicionado ao molho de soja, misturas de temperos e caldos, ou carnes processadas.
O que podemos fazer?
Após identificados os alimentos que provocam uma reação adversa à criança, a solução é retirá-los da sua alimentação. Mas é importante que este processo seja acompanhado por um médico ou nutricionista, para evitar que surjam carências nutricionais. A infância é uma fase de grande crescimento e desenvolvimento, pelo que o acompanhamento neste sentido será crucial. As intolerâncias alimentares podem depender ainda da dose consumida. Neste sentido, é possível que, após o período de exclusão, a criança volte a tolerar uma determinada quantidade do alimento.
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