Segundo muitos especialistas, a onicofagia, ou seja o hábito de roer as unhas, está associada a situações de ansiedade, tensão, nervosismo ou stresse e, este problema afecta tanto homens como mulheres, independentemente da sua idade. Apesar desta situação se iniciar mais vulgarmente durante a infância e/ou adolescência, também pode surgir durante a idade adulta, muitas vezes quando se tenta abandonar um outro hábito, como por exemplo, o de fumar.
Do ponto de vista clínico não se trata de uma situação muito grave, mas poderá originar consequências no mínimo desagradáveis. Para além do aspecto inestético evidente, a mania de roer as unhas é muito pouco higiénica, pois facilita a ingestão de bactérias e fungos que se encontram nos dedos. Algumas pessoas, roem as unhas e também as peles que as circundam, provocando lesões cutâneas e infecções.
Além de ser necessário tomar consciência deste hábito impulsivo, devemos sobretudo entender as suas causas. Ainda que uma pequena percentagem possa revelar alguns problemas psicológicos ou psiquiátricos, a grande maioria está relacionada com situações de ansiedade. Alguns autores defendem que este acto inconsciente pode esconder até alguma agressividade, sentimentos reprimidos ou expressar um conflito interior. A psicoterapia pode ajudar a revelar o que impulsiona este hábito e ajudar a encontrar soluções para aliviar a ansiedade. Não se deve repreender, fazer comentários depreciativos, nem ridicularizar as pessoas que roem as unhas, pois poderá agravar o seu comportamento. Deverá tentar-se antes despertar nessas pessoas o gosto de cuidar da aparência, em especial das mãos. É importante motivar e transmitir confiança, pois esta situação cria muitas vezes embaraços nas relações laborais, afectivas e outras.
Quanto a soluções para acabar com este vício, o mais importante é sem dúvida, a força de vontade e a motivação pessoal. É que tomar uma decisão nem sempre é fácil, mas mantê-la exige ainda mais força de vontade... Na prática, poderá experimentar vernizes com um sabor desagradável que causam repulsa ou colocar pequenos pensos adesivos sobre as unhas. Outra opção é colocar unhas postiças que, quando aplicadas por profissionais competentes, não apresentam quaisquer riscos.
No que respeita às soluções mais naturais, alguns suplementos podem revelar-se úteis, nomeadamente no combate ao stresse e à ansiedade e, ainda, no fortalecimento das unhas. Salienta-se a acção do Ginseng coreano (Panax Ginseng) e Ginseng Siberiano (Eleutherocccus senticosus), que ajudam a melhorar a performance mental e física dos indivíduos que se encontram num estado debilitado, fruto de situações de grande desgaste, proporcionando-lhes vitalidade e maior resistência às situações de stresse e pressão. Ainda no domínio da fitoterapia, a valeriana (Valeriana officinalis), a passiflora (Passiflora incarnata) e a camomila (Matricaria recutita) apresentam propriedades calmantes. Para ajudar a combater os estados depressivos poderá ainda optar pela Erva-de-São-João (Hypericum perforatum). Para além de uma alimentação saudável e equilibrada, poderá fortalecer as unhas através de suplementos como o MSM (metilsulfonilmetano) que é um composto natural à base de enxofre ou da levedura de cerveja que, devido ao seu elevado teor de vitaminas do complexo B, produz notáveis efeitos na saúde da pele, das unhas, e do cabelo.
Penso ter deixado aqui algumas linhas indicadoras, mas a decisão para deixar de roer as unhas está nas suas mãos.
Pedro Lobo do Vale
Médico
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