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Olhar protegido

Bem-Estar

É essencial prevenir as doenças visuais, que provocam a diminuição da qualidade de vida e têm repercussões quer a nível familiar, quer a nível profissional.

Vários estudos realizados em Portugal permitem-nos estimar que cerca de metade da população sofre de alterações da visão.

Nos países subdesenvolvidos os problemas de visão associam-se à malnutrição como, por exemplo, deficiência em vitamina A e acesso limitado aos cuidados de saúde. Nos países desenvolvidos, as condições que afetam a visão são as doenças degenerativas crónicas, nas quais as escolhas de estilo de vida e alimentação têm um papel determinante.

No adulto, as doenças mais frequentes suscetíveis de causarem, a médio/ longo prazo, perda de visão, são as cataratas, a retinopatia diabética, o glaucoma e as doenças maculares.

 

Stresse oxidativo e glicemia

Os processos degenerativos do olho estão intimamente relacionados com a dieta e outros hábitos de vida. São essencialmente dois os desequilíbrios que mais contribuem para a alteração das estruturas do olho: stresse oxidativo e controlo glicémico deficiente.

As estruturas do olho são sensíveis aos danos causados pelos radicais livres, não apenas por estarem constantemente expostas aos raios UV mas também porque são compostas principalmente por ácidos gordos (a retina é a estrutura do corpo com maior concentração de ácidos gordos), que são especialmente propensos à oxidação.

Os olhos também são particularmente vulneráveis às flutuações da glicemia (açúcar no sangue). As elevações constantes dos valores de glicose no sangue podem causar danos ao nível dos capilares, que são responsáveis pelo fornecimento de oxigénio e outros nutrientes à retina, comprometendo desta forma a integridade dos tecidos.

A abordagem nutricional deve passar por evitar grandes picos glicémicos, reduzindo os alimentos com muito açúcar e fazendo várias e equilibradas refeições durante o dia, não muito abundantes.

Por outro lado, o consumo de alimentos ricos em antioxidantes, como os que são naturalmente verde-escuros (por exemplo, a couve), azuis (por exemplo, o mirtilo), vermelhos (por exemplo, as framboesas) ou laranja (por exemplo, a abóbora e a cenoura), assim como a sua suplementação, pode ser benéfico para minimizar os danos do stresse oxidativo.

 

Vitamina D

Com propriedade potencialmente antioxidante, anti-inflamatória e potenciadora da sensibilidade da insulina, não é de surpreender que nos últimos anos tenham surgido vários estudos que evidenciam as capacidades protetoras da vitamina D para a saúde ocular.

 

Pycnogenol

Há números que apontam para que cerca de 45% dos diabéticos já tenham algum grau de retinopatia. Caso não se implementem medidas efetivas para a normalização da glicemia, a grande maioria dos diabéticos poderá vir a sofrer desta patologia.

Estudos associam a suplementação com pycnogenol a um aumento da resistência dos capilares e consequente proteção dos danos causados à retina.

 

Luteína e zeaxantina

São pigmentos amarelos (carotenoides) que se encontram na mácula, uma estrutura localizada na retina que é responsável pela visão de detalhe. Estes pigmentos filtram a quantidade de luz que chega aos fotorrecetores, nomeadamente a luz azul (luz emitida pelos ecrãs de computadores, smartphones, tablets), e atuam como antioxidantes minimizando os danos causados pela luz.

Estes pigmentos amarelos não são produzidos pelo organismo, sendo necessária a sua introdução através da alimentação e/ou suplementação.

Os alimentos que contêm estas substâncias incluem vegetais (couve, espinafres, abóbora), fruta (laranja, manga), ovos e milho. A cozedura e a presença de gordura na dieta normalmente aumentam a sua biodisponibilidade.

 

Mirtilo

O mirtilo (Vaccinium myrtillus), uma baga de cor azul-violeta escuro, é rico em taninos, antocianósidos, flavonoides e hidroquinonas, constituintes que são considerados úteis para a microcirculação da retina.

 

Vitamina A e Betacaroteno

A vitamina A (retinol) é um componente necessário à formação de rodopsina, responsável pela visão noturna.

A crença antiga de que as cenouras são importantes para a visão deve-se à sua composição em betacaroteno, uma pró-vitamina que o nosso organismo converte em vitamina A à medida das necessidades. No entanto, alguns estudos parecem mostrar que esta conversão nem sempre é muito eficiente.

É importante prevenir, através da alimentação, a deficiência em vitamina A. Esta está naturalmente presente nos ovos e produtos lácteos, essencialmente na manteiga, de preferência biológica.

 

Ginkgo Biloba

É uma planta tradicionalmente utilizada para problemas de circulação que melhora esta função em todo o organismo, permitindo um melhor fornecimento de nutrientes e oxigénio às células.

 

Zinco

O zinco tem um papel fundamental na conversão da vitamina A em retinol (forma ativa). Tem ainda ação antioxidante, contribuindo para a manutenção de uma visão normal.

 

Medidas para visão raio-X:

- Realize exames oftalmológicos periódicos (de quatro em quatro anos para as pessoas com idade igual ou superior a 46 anos);

 - Ajuste o topo do monitor do computador de modo a que fique situado ao nível dos olhos ou ligeiramente mais baixo;

 - Pisque regularmente os olhos para os lubrificar e prevenir a secura;

 - Evite ambientes pouco arejados e com fumo de tabaco;

 - Proteja os olhos com óculos de sol adequados, com lentes com proteção UV.