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Reforma

Bem-Estar

A idade com que as pessoas activas se devem reformar é um tema politicamente “quente” e muito discutido por várias razões. Por um lado, a longevidade é cada vez maior e o Estado deseja diminuir os seus encargos. Por outro, a maior parte das pessoas não deseja adiar o tão merecido e sonhado período de descanso.

As pessoas activas, ao exercer uma profissão sentem-se úteis, produtivas, são ambiciosas e traçam objectivos que desejam cumprir. Normalmente estão integradas numa equipa e têm uma rotina diária bem estabelecida. Com o passar do tempo, muitos destes aspectos acabam por tornar-se num fardo e muitas pessoas não vêem a hora de deixar de trabalhar.

Como médico, vejo algumas contrariedades em haver muitas pessoas que se reformam demasiado cedo, ou mesmo, atingindo a idade da reforma, deixam de trabalhar. Não quero com isto afirmar que a reforma não é merecida. É que, apesar de na teoria haver mais disponibilidade, grande parte das pessoas não aproveita realmente esse tempo. Como consequência, muitas dessas pessoas reformadas (e/ou inactivas) acabam por se ressentir e padecer de doenças mais cedo do que se continuassem a trabalhar (e/ou a ser activas). Durante algum tempo o descanso é sem dúvida reconfortante, mas a longo prazo não deverá confundir-se com inércia. Muitos reformados entregam-se a uma certa apatia e rapidamente se deteriora a sua saúde física e mental. Para além das doenças comuns que atingem esta faixa etária (colesterol elevado, tensão arterial elevada, diabetes, etc.), também perdem a acuidade, o raciocínio, a memória e por vezes surgem situações de depressão. É comum acentuar-se o consumo de tabaco, álcool e surgirem casos de obesidade.

É verdade que no nosso país não é muito fácil arranjar um emprego ou uma ocupação adequada se já se tiver uma certa idade. Não obstante, ter uma ocupação é vital. A ausência de doenças não significa obrigatoriamente a presença de saúde e, segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde), a saúde é um estado de bem-estar bio-psico-social, isto é, um estado de equilíbrio entre todos os determinantes físicos e emocionais do ser humano.

No nosso país, grande parte dos reformados ocupa a maior parte do seu tempo com a família (filhos e netos), ajudando-os na vida quotidiana. Porém é necessário que haja outro tipo de ocupações/distracções das quais se retire gratificação e prazer, fazendo as pessoas sentirem-se úteis. Muitos reformados têm a ideia de que não existe mais nada para fazer, quando na verdade se passa precisamente o contrário. A reforma é a altura ideal para concretizar sonhos e planos para os quais antes nunca houve disponibilidade, como fazer viagens, por exemplo. Para além da família, deve conviver com amigos e antigos colegas. Em casa, para além de ver televisão, existem muitas outras actividades como ler, aprender a usar o computador (caso não saiba), remodelar e alterar a decoração, etc. Aproveite para ir ao cinema, ao teatro, a exposições e até voltar a estudar. O exercício físico é muito importante, por isso não hesite em fazer desporto (adequado à condição de cada pessoa), passear ao ar livre ou desenvolver actividades como o bricolage, a jardinagem ou até elaborar uma pequena horta. O voluntariado é outra opção, pois para além de se sentir ocupado ainda ajuda quem precisa.

Em resumo, para manter a saúde é importante ter uma ocupação, uma rotina para evitar a solidão e possíveis depressões. Lembre-se que estar parado durante muito tempo pode resultar em imobilidade que, a nível emocional promove o isolamento e, a nível físico degrada o organismo a vários níveis.