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Sabia que a fome também pode ser emocional?

Nutrição

Nas últimas décadas de pesquisas, tem ficado claro que o stresse crónico e as emoções negativas podem aumentar a ingestão de alimentos, nomeadamente de alimentos mais densos em calorias. É a chamada fome emocional. Já ouviu falar dela?

Fome emocional: o que é?

A fome emocional é definida como a tendência para comer em demasia em resposta a emoções, como a ansiedade ou irritabilidade.  É caracterizada pelo consumo excessivo de alimentos densos em calorias, ricos em açúcares e gordura. Um número crescente de estudos tem demonstrado que a fome emocional é preditiva de um subsequente aumento de peso corporal no adulto, tendo sido associada, de forma consistente, a preocupações como o excesso de peso e obesidade. Além disso, parece que indivíduos com excesso de peso exibem capacidades menos eficazes de enfrentar algumas emoções, levando-os a comer de forma emocional com mais frequência.

5 estratégias para enfrentar a fome emocional

1. Identifique a causa que desencadeia a procura pela comida

Procure avaliar quais as situações ou emoções que o fazem procurar a sua comida de conforto e o consumo excessivo.  A depressão representa um tipo de emoção que pode levar à ingestão alimentar, como demonstram determinados estudos. Esteja atento aos sintomas de ansiedade e falta de motivação, e procure aliviar o stresse. O 5 hidroxitriptofano (5HTP) – um dos precursores da serotonina (neurotransmissor que representa um papel importante no estado de humor) – e plantas denominadas de adaptogénicas – que ajudam o seu organismo a resistir ao stresse (como a rodiola ou a ashwagandha) – podem, em alguns casos, ser uma opção.

2. Distinga entre fine emocional e física

A fome emocional tem sido associada a uma redução da perceção dos sinais internos de fome e de saciedade, em parte porque o stresse altera a capacidade de estar consciente dos sinais internos. Conheça as diferenças:

Fome emocional:

  • Não está localizada no estômago. Aparece repentinamente e precisa de ser satisfeita instantaneamente;
  • Leva à procura por alimentos específicos;
  • Fome que não é satisfeita mesmo se o estômago estiver cheio;
  • Após saciada, desencadeia sentimentos de culpa e vergonha.

Fome física:

  • Aparece gradualmente. O desejo de comer não exige uma satisfação instantânea;
  • Não é específica para certos alimentos;
  • Fome que cessa quando  o estômago está cheio;
  • Após saciada, não provoca sentimentos que o fazem sentir mal.

3. Selecione os snacks que tem disponíveis

Escolha alimentos mais saudáveis e tenha-os por perto e acessíveis. Coloque num recipiente, por exemplo, nozes misturadas com framboesas ou mirtilos frescos, e reserve para uma altura mais exigente.

4. Procure nutrientes que podem ajudar a reduzir o apetite

As evidências sugerem que o estado de inflamação se encontra elevado em pessoas com ansiedade. Assim, e de um modo geral, a ajuda na redução da ansiedade pelos ácidos gordos Ómega-3 ocorre pela sua ação anti-inflamatória. Desta forma, consuma alimentos ricos neste nutriente, como o peixe gordo, sementes de chia e de linhaça. Também a fibra alimentar pode ajudar na redução da resposta inflamatória, ao mesmo tempo que contribui para a saciedade. Para isso, consuma também alimentos ricos em fibra, como legumes, fruta, leguminosas, cereais integrais, sementes e frutos secos. A raiz da planta konjac é rica numa fibra solúvel, chamada glucomanano, e, por isso, utilizada em produtos para promover o efeito de saciedade. Também o mineral crómio e a canela têm um papel importante na manutenção dos níveis normais da glicemia, fundamental para a ajuda no controlo do apetite.

5. Pratique exercício físico

Indivíduos com elevada suscetibilidade à fome emocional podem beneficiar de intervenções na qualidade do estilo de vida, como melhorar o seu padrão de sono e de atividade física. Promover a prática regular de exercício físico pode ser útil no controlo de peso e ajudar a reduzir o stresse.