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Um superalimento por dia, nem sabe o bem que lhe fazia

Nutrição

Não existe uma definição científica para o termo “superalimento”. No entanto, incluem-se neste grupo todos aqueles que ofereçam vários benefícios em simultâneo para a saúde de um indivíduo, devido ao seu valor nutricional. É importante ter em mente que, apesar de benéficos, nenhum alimento isolado, nem mesmo um superalimento, pode fornecer todos os nutrientes em quantidades que assegurem a saúde geral. Lembre-se que, para ser considerada saudável, a alimentação deve ser variada, equilibrada e completa. Deixamos algumas sugestões, uma por cada dia da semana, para que possa experimentar e tirar o máximo partido de cada superalimento.

Açafrão-da-índia

Originária da Índia, como indica o nome, esta especiaria possui um polifenol denominado curcumina, que confere várias das propriedades que fazem desta planta um superalimento. Além de ser responsável pela sua cor amarela característica, a curcumina tem uma ação antioxidante. Estudos têm demonstrado também o papel do açafrão como imunomodulador, resultante das suas propriedades anti-inflamatórias, o que suporta a sua atuação ao nível do sistema imunitário.

Gengibre

Proveniente da Ásia, o gengibre não confere apenas aroma e sabor aos pratos a que é adicionado. O seu interesse prende-se também com as propriedades anti-inflamatórias e antioxidantes que apresenta. Estas características são conferidas maioritariamente pela presença dos gingeróis, compostos polifenóis que fazem do gengibre um aliado no combate ao stresse oxidativo e no desempenho da resposta imunitária. Adicionalmente, tem sido estudado o seu efeito no alívio de sintomas gastrointestinais, como náuseas e vómitos, em indivíduos a realizar quimioterapia.

Spirulina

De tamanho microscópico e cor verde, esta alga apresenta valores consideráveis de proteína, vitamina B12, ferro, betacarotenos (responsáveis pela sua ação antioxidante) e ómega 6. Além de ser facilmente digerida, apresenta propriedades imunomoduladoras devido à sua capacidade antimicrobiana. Sugere-se ainda o potencial efeito benéfico que a alga apresenta ao nível do funcionamento intestinal, visto que pode atuar como probiótico. A adição de spirulina à alimentação pode ser especialmente interessante em dietas vegetarianas e vegan, uma vez que fornece nutrientes geralmente mais difíceis de obter nestes regimes alimentares.

Açaí

Este fruto, proveniente do Brasil, ganhou bastante destaque nos últimos anos. A cor roxa resulta do seu teor em antocianinas que, em conjunto com os compostos fenólicos e flavonoides, são responsáveis pelas suas propriedades antioxidantes. Alguns estudos têm relatado a ação deste fruto na melhoria do perfil lipídico, possivelmente devido à presença das antocianinas. Curiosamente, e contrariamente à maioria das frutas, a polpa do açaí apresenta ainda um conteúdo relevante de ómega 9.

Ashwagandha

É o nome dado à planta Withania somnifera, proveniente de África e da Índia. Sendo uma das plantas adaptogénicas mais conhecidas, a sua ação principal passa por assegurar a homeostase de todo o corpo, estimulando uma resposta adequada perante fatores de stresse físicos, químicos, biológicos e psicológicos. Esta propriedade pode ter um impacto positivo na presença de perturbações mentais, como ansiedade ou depressão. Da sua composição, fazem parte compostos bioativos, como flavonoides e fenóis, que conferem ainda a esta planta um efeito antioxidante.

Sementes de cânhamo

Estas sementes derivam da Cannabis Sativa L., no entanto, não apresentam propriedades psicoativas. São antes uma fonte conhecida de ómega 3 e 6, num rácio de 1:3 (considerado ideal), de proteína completa e de fibra. Adicionalmente, fornecem, em quantidadesconsideráveis, micronutrientes como vitamina E, zinco, magnésio, ferro e fósforo. O seu perfil nutricional, nomeadamente o conteúdo em ácidos gordos polinsaturados, faz destas sementes um alimento com propriedades benéficas ao nível da saúde cardiovascular.

Cacau cru

Quando fermentado, verificam-se algumas alterações na composição nutricional do cacau, sendo o seu teor proteico, de fibra e de teobromina ligeiramente superiores quando cru. O efeito positivo da teobromina, principal alcalóide presente no cacau (e, curiosamente, indicado no próprio nome da planta, Theobroma cacao), tem sido positivamente associado à saúde cardiovascular e ao humor, quando ingerido em doses não muito elevadas. Este fruto apresenta também valores consideráveis de flavanóis (da classe dos flavonoides) que, segundo estudos, pode conferir ao cacau um efeito positivo ao nível da diminuição da pressão arterial.